
Jesus Cristo, o bom pastor – Ulisses

Jesus Cristo, o bom pastor – Ulisses – detalhe da Face Sagrada
“Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.
Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco.
É necessário que eu as conduza também.
Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la.
Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade.
Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la.
Esta ordem recebi de meu Pai”. (Jo 10, 14-18)
Jesus bom Pastor Canto Católico
O Bom Pastor:
Meus queridos irmãos, vocês ouviram a prova pela qual nós, pastores, temos que passar. Voltem-se agora para a questão de como essas palavras do nosso Senhor implicam uma prova para vocês também.
Perguntem a si mesmos se pertencem ao seu rebanho, se o conhecem, se a luz da sua verdade brilha em suas mentes. Asseguro-lhes que não é pela fé que vocês o conhecerão, mas pelo amor; não por mera convicção, mas por meio de ações.
João Evangelista é a minha autoridade para esta afirmação.
Ele nos diz que qualquer pessoa que alega conhecer a Deus sem guardar os seus mandamentos é um mentiroso.
Consequentemente, o Senhor acrescenta imediatamente: Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai, dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
Claramente, ele quer dizer que dar a vida pelas suas ovelhas demonstra o seu conhecimento do Pai e o conhecimento que o Pai tem dele.
Em outras palavras, pelo amor com que morre pelas suas ovelhas, ele mostra o quanto ama o Pai. Novamente, ele diz: As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço; elas me seguem, e eu lhes dou a vida eterna.
Pouco antes disso, ele havia declarado: Se alguém entrar no aprisco das ovelhas por mim, será salvo; entrará e sairá livremente e encontrará bons pastos.
Ele entrará numa vida de fé; da fé passará para a visão, da crença para a contemplação, e pastará nos bons pastos da vida eterna.
Assim, as ovelhas do nosso Senhor finalmente chegarão ao seu pasto, onde todos os que o seguem com simplicidade de coração se alimentarão nos verdes pastos da eternidade.
Esses pastos são as alegrias espirituais do céu.
Ali, os eleitos contemplam a face de Deus com visão límpida e participam do banquete da vida eterna.
Amados irmãos, partamos para esses pastos onde celebraremos com alegria com tantos dos nossos concidadãos.
Que a lembrança da felicidade deles nos impulsione! Despertemos nossos corações, reacendamos nossa fé e ansiemos ardentemente pelo que o céu nos reserva.
Amar assim é já estar a caminho.
Independentemente dos obstáculos que encontrarmos, não devemos permitir que nos afastem da alegria dessa festa celestial.
Quem está determinado a alcançar seu destino não se deixa abater pelas dificuldades do caminho.
Tampouco devemos nos deixar seduzir pelo encanto do sucesso, pois seremos como um viajante insensato, tão distraído pelos agradáveis prados por onde passa que se esquece do caminho. (Gregório Magno, Homilia sobre os Evangelhos, 14, 3-6 in PL 76, 1129-1130)
Fonte 1: Texto traduzido de “Bom Pastor”
O Belo Pastor:
A pintura apresenta uma representação serena e profundamente simbólica de Jesus Cristo, retratado na figura clássica do Bom Pastor.
A imagem está construída sobre uma atmosfera de calma e compaixão, onde o olhar do Cristo, voltado para o horizonte, parece ultrapassar o espaço físico e penetrar o espiritual.
Seu semblante é de ternura, mas também de firmeza; o olhar expressa tanto a misericórdia do pastor que cuida quanto a determinação daquele que guia e protege o rebanho.
O artista soube captar a dualidade do Cristo — a mansidão e a autoridade — fundindo-as numa expressão que inspira confiança e reverência.
O manto branco que cobre sua cabeça e envolve seu corpo transmite pureza e santidade, refletindo a tradição iconográfica que associa a brancura às virtudes da alma e à luz divina.
As dobras do tecido, pintadas com minucioso cuidado, dão à figura uma sensação de movimento leve, quase etéreo, como se a brisa sagrada do deserto de Judá soprasse suavemente sobre Ele.
O pano envolve o Cristo de modo a lembrá-lo como o Cordeiro de Deus, mas também o Pastor que conduz, numa unidade de símbolos que atravessa toda a teologia cristã.
A cor branca e os tons suaves que dominam a composição fazem a figura se destacar contra o fundo de céu azul, sugerindo que Ele está entre o humano e o celeste, o terreno e o eterno.
O cajado, firme em sua mão direita, é o emblema inconfundível do pastor. Não se trata apenas de um instrumento de trabalho, mas de um símbolo de cuidado, autoridade e condução espiritual.
No contexto da tradição cristã, o cajado remete às palavras do Salmo 23 — “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” — evocando a presença constante de Deus como guia e protetor de suas ovelhas.
O gesto com que Jesus segura o cajado é natural e confiante, mas também expressivo: revela a segurança daquele que sabe o caminho e a proximidade daquele que nunca abandona os seus.
É um gesto de liderança sem violência, de poder que nasce do amor, não da dominação.
A luz da pintura é suave e dourada, incidindo sobre o rosto e as mãos de Cristo, como se emanasse d’Ele próprio.
Essa luz interior, típica das representações sacras, serve para destacar sua natureza divina: não é a luz que vem de fora, mas aquela que brota do Verbo encarnado.
A combinação entre sombras sutis e tons quentes dá volume e vida ao retrato, aproximando-o de uma figura real, mas mantendo o mistério que o transcende.
A sombra que envolve parte do fundo cria um contraste simbólico — o mundo envolto em trevas diante da presença luminosa do Salvador, cuja missão é trazer claridade àqueles que caminham na escuridão.
Os traços do rosto foram suavizados, revelando uma beleza idealizada, distante das marcas do sofrimento terreno, o que reforça o aspecto pastoral e pacífico da cena.
Ele não aparece coroado de espinhos nem com os sinais da paixão, mas como aquele que vela pelos seus filhos.
Há uma harmonia perfeita entre a humanidade e a divindade, entre o mestre e o pastor, entre o homem que viveu entre os pobres e o Filho de Deus que oferece salvação.
A barba bem delineada, o olhar profundo e os lábios entreabertos dão a impressão de uma figura viva, prestes a falar, talvez para chamar suas ovelhas pelo nome, como diz o Evangelho.
O fundo, composto por um céu de tonalidades que transitam do azul ao cinza suave, sugere um amanhecer — símbolo de esperança, renovação e nova vida.
É como se o Cristo Pastor estivesse prestes a iniciar um novo dia de cuidado sobre o mundo, conduzindo a humanidade para a luz.
A ausência de outros elementos reforça a centralidade da figura, convidando o observador a contemplar somente Ele, sem distrações, a reconhecer no silêncio do olhar a presença de Deus que fala ao coração.
No conjunto, a obra é uma síntese de fé e ternura. Cada detalhe, desde a posição das mãos até o jogo de luz e sombra, comunica o amor vigilante do Pastor que jamais abandona o seu rebanho.
O artista, ao escolher representar Jesus com esse semblante sereno e envolto em tons cálidos, quis transmitir não apenas uma imagem religiosa, mas uma experiência espiritual: o encontro com o Cristo vivo, compassivo e vigilante.
Essa pintura não se limita a ilustrar uma cena — ela convida à meditação, ao recolhimento e à confiança no Pastor das almas, cuja presença é ao mesmo tempo majestosa e próxima, divina e humana, eterna e profundamente pessoal.
Fonte 2: Texto produzido por Ian Nezen
Christ the good shepherd:
My dear brethren, you have heard the test we pastors have to undergo.
Turn now to consider how these words of our Lord imply a test for yourselves also.
Ask yourselves whether you belong to his flock, whether you know him, whether the light of his truth shines in your minds.
I assure you that it is not by faith that you will come to know him, but by love; not by mere conviction, but by action. John the evangelist is my authority for this statement.
He tells us that anyone who claims to know God without keeping his commandments is a liar.
Consequently, the Lord immediately adds: As the Father knows me and I know the Father; and I lay down my life for my sheep.
Clearly he means that laying down his life for his sheep gives evidence of his knowledge of the Father and the Father’s knowledge of him.
In other words, by the love with which he dies for his sheep he shows how greatly he loves his Father.
Again he says: My sheep hear my voice, and I know them; they follow me, and I give them eternal life.
Shortly before this he had declared: If anyone enters the sheepfold through me he shall be saved; he shall go freely in and out and shall find good pasture.
He will enter into a life of faith; from faith he will go out to vision, from belief to contemplation, and will graze in the good pastures of everlasting life.
So our Lord’s sheep will finally reach, their grazing ground where all who follow him in simplicity of heart will feed on the green pastures of eternity.
These pastures are the spiritual joys of heaven.
There the elect look upon the face of God with unclouded vision and feast at the banquet of life for ever more.
Beloved brothers, let us set out for these pastures where we shall keep joyful festival with so many of our fellow citizens.
May the thought of their happiness urge us on! Let us stir up our hearts, rekindle our faith, and long eagerly for what heaven has in store for us.
To love thus is to be already on our way.
No matter what obstacles we encounter, we must not allow them to turn us aside from the joy of that heavenly feast.
Anyone who is determined to reach his destination is not deterred by the roughness of the road that leads to it.
Nor must we allow the charm of success to seduce us, or we shall be like a foolish traveler who is so distracted by the pleasant meadows through which he is passing that he forgets where he is going.” (Gregory the Great, Homilies on the gospels, 14. 3-6: PL 76, 1129- 1130)
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