Primeiro Concílio de Nicéia

Sobre a Obra

Primeiro Concílio de Nicéia

Os Precedentes do Concílio:

Todos os grandes problemas do Cristianismo no século III tinham entrado no século IV e sido transformados pela nova realidade do Império Romano com a crise da Tetrarquia, a grande perseguição diocleciana e legalização da fé cristã e por fim a Ascenção de Constantino como único Imperador.

Na área teológica o principal problema encontrado era no esclarecimento da relação do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Os grupos ditos “proto-ortodoxos” eram delimitados basicamente em não ser “judaizante” e não ser “gnóstico”, entretando essa frágil comunhão se via dilacerada por todo tipo de divergência tanto em questões disciplinares como o que fazer com os Lapsis (Novacianistas, Melecianos e Donatistas), como em tendências teológicas (Subordinacionistas, Adocionistas, Modalistas) e cismas francos (Paulinistas e Catafrídas). 

Constantino que tinha acabado de Triunfar sob todos os outros Césares reclamantes a posição de Imperador e unificado o Império, agora via na sua nova religião protegida ser rasgada até por várias divisões internas e uma controvérsia que ameaçava quebrar toda a Igreja Cristã.

Vendo isso, Constantino que já tinha experiência na procedência Sinodal em Arles (314), decidiu que era hora de que todos os bispos se reunissem em um único mega-sínodo e a paz entre as igrejas fosse estabelecida.

Arianismo: 


De todos os problemas a controvérsia ariana, tinha se tornando a maior dor de cabeça no Oriente, surgida de uma controvérsia interna da Igreja Copta, Ário não tinha boas relações com o Papado Alexandrino nas décadas de 310, ele tinha se alinhado com os melecianos e sido condenado pelo Papa Pedro I o Selo dos Mártires, depois se reconciliou e por fim cismou novamente até que o novo Papa Áquila o recebeu e o consagrou presbítero. Por fim como presbítero ele se desentendeu com o Papa Alexandre I acerca da relação entre o Pai e o Filho.

A posição de Ário é facilmente resumida na sentença “Houve um Tempo que Ele não existia”, seu ensino consiste em afirmar que o Filho de Deus foi criado por Deus Pai, antes da existência do mundo e do tempo, por um ato do livre arbítrio de Deus e do nada; assim, o Filho não existiu desde toda a eternidade e, consequentemente, não era perfeitamente igual ao Pai.

Embora tenha sido elevado muito acima de todas as criaturas como “um outro Deus”. Sua posição tinha respaldo em importantes teólogos anti-modalistas do século III como Orígenes, Papa Dionísio I o Grande e Luciano de Antioquia (Ário e seus apoiadores se chamavam de Colucianistas). 

“E assim o próprio Deus, como realmente é, é inexprimível para todos.

Só Ele não tem igual, ninguém semelhante, ninguém da mesma glória.

Nós o chamamos de não gerado, em contraste com aquele que por natureza é gerado.

Nós o louvamos como sem começo, em contraste com aquele que tem um começo.

Nós o adoramos como atemporal, em contraste com aquele que no tempo veio a existir.” Ário, Thalia, 1 in Atha. De. Syd. 15, 3 

Ário foi condenado por Alexandre numa Carta Encíclica a todo o Egito, ele fugiu e recebeu proteção dos Palestinos como Eusébio de Cesáreia, e saiu pregando na Síria e Ásia Menor aonde conseguiu muitos adeptos em especial o bispo de Nicomédia Eusébio.

Sínodos em todos os lugares agora debatiam se o Filho era Gerado no Tempo ou na Eternidade e a crise logo teve que ser resolvida numa instância maior. 

O Concílio: 


Constantino então convocou o Concílio inicialmente para se reunir em Ancira da Galácia, entretanto Marcelo bispo da cidade ferrenho anti-ariano dificultaria  os projetos irênicos do Imperador e a cidade escolhida foi Nicéia Metrópole da Bitínia , aonde o bispo Teognides era simpático a Ário e a proximidade da com a capital imperial de Nicomédia facilitava o controle da corte e a posição colucianista de Eusébio.

Mais de 1000 bispos foram convocados de todas as partes do mundo, somente por volta de 200-300 bispos compareceram, entre os ausentes note-se o Bispo de Roma Silvestre que enviou dois legados seus presbíteros Vito e Vicêncio.

O Concílio contou com presenças que chamaram atenção pelo seu exotismo como Teófilo bispo dos Godos e João da Pérsia e Índia, além de as listas mencionarem a presença de Corepiscopos (Bispos dos Campos sem “dioceses”).

O Imperador inaugurou o Concílio com uma exortação a Unidade da Igreja e que a paz reinasse sob todos, depois ele não mais interveio.

A presidência do Concílio foi entregue aos Bispos Ósio de Córdoba, Alexandre de Alexandria e Eustáquio de Antioquia. 

O Concílio nos legou um Símbolo de Fé e 20 Cânones, somente três bispos se recusaram expressamente a assinar e foram depostos (Eusébio de Nicomédia, Teognides de Nicéia e Narcisio de Neronides).

Entre as questões a data da Páscoa foi levantada e foi acordado que o Computo Pascal deveria seguir o uso Alexandrino e Romano mas nunca celebrar no 14 de Nisã.

Questões disciplinares e de ordem eclesiástica também foram abordadas. 

A Fé Nicena: 


Ário e os seus foram condenados ao Anátema, e a expressão Homoousius (“Coessencial/Consubstancial”) foi adotada não com pouca resistência dada seu histórico negativo com origem “gnóstica” e uso por Sabélio e Paulo de Samósata.

Além da clara distinção entre Gerado e Criado, afirmando a Co-eternidade também do Filho.

O Credo Niceno provavelmente foi elaborado com base já na profissão de fé do Concílio de Antioquia realizado poucos meses antes de Nicéia, e não com base no Credo Batismal de Cesaréia como argumenta Eusébio.  

Credo Niceno (325):

Acreditamos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, gerado do Pai, o unigênito, isto é, da essência do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, do mesmo ser que o Pai, por quem todas as coisas foram feitas, tanto as que estão no céu como as que estão na terra.

O qual por nós, homens, e para nossa salvação, desceu e se fez carne, tornando-se homem, padeceu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e vem julgar os vivos e os mortos.

E no Espírito Santo.

A Igreja Católica e Apostólica condena aqueles que dizem a respeito do Filho de Deus que “houve um tempo em que ele não existia” ou “ele não existia antes de ser gerado” ou “ele veio a existir do nada” ou que afirmam que ele é de outra subsistência ou essência, ou uma criação, ou mutável, ou alterável.”  – apud. Atanásio, De decretis Nicenae synodi  37.2 ( AW 2:36-37); História da Igreja Anônima, 2.27; Eusébio, Carta a Cesareia (ver Doc. 24, §8) 

Fonte: Textos produzidos por Ian Nezen

Iconografia do Concílio:

O potencial artístico inerente à figura de Ário como antípoda da ortodoxia a importância dos defensores da fé nicena não passou despercebida pelos iconógrafos.

A primeira representação conhecida do Concílio de Niceia, na tradição ortodoxa, pertence à mão de Miguel Damaskinos e já é bastante tardia.

Datado de 1591, o ícone, que apresenta fortes influências ocidentais (escola cretense), retrata o concíio.

Os participantes estavam sentados em estilo de anfiteatro (em três fileiras de semicírculos), ao redor do Evangelho.

O livro, que está entronizado no centro.

O imperador Constantino está posicionado à direita do trono.

com uma figura papal (Papa Silvestre?) sentada na mesma fila, à esquerda do trono.

Ário, derrotado e condenado, jaz em primeiro plano diante dos bispos sentados.

Para remover, em caso de dúvida sobre sua condenação, o herege segura um pergaminho desenrolado com uma inscrição que diz: “Ário, inimigo de Deus e o primeiro dos que queimam”.

Ao centro também está presente o bispo taumaturgo Spiridon de Trymithous no Chipre, que em fontes Hagiográficas se diz ter refutado Ário com um milagre. 

A composição segue um esquema bizantino e ocidental relativamente típico de apresentação de decisões conciliares.

O esquema, frequentemente com o Imperador, em vez do Livro do Evangelho, colocado no centro, também seguiu-se nos séculos posteriores.

Em algumas versões do ícone, o pergaminho aberto apresenta uma parte do Credo, especificamente seu segundo artigo com a afirmação de que o Filho é consubstancial ao Pai.

Outras versões posteriores do ícone também mostram São Nicolau dando um tapa na cara de Ário (como vimos anteriormente, este episódio teve origem em fontes hagiográficas.

Comparado à influência da hinografia, a tradição iconográfica de representar o Primeiro Concílio Ecumênico, foi um fator relativamente insignificante na formação da recepção popular do legado niceno. 

Fonte 2: Texto adaptado de “Iconografia do Concílio de Nicéia”

Link dos artigos:

Link da fonte 2: https://www.academia.edu/36428895/The_Legacy_of_the_Council_of_Nicaea_in_the_Orthodox_Tradition_The_Principle_of_Unchangeability_and_the_Hermeneutic_of_Continuity_

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