Jesus Cristo Pantocrator – o Rei dos reis

Sobre a Obra

Jesus Cristo Pantocrator – o Rei dos reis

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.

Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.

Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.

Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Sl 24, 7-10)

Nenhum dos governantes desta época entendeu isso, pois, se tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. (1Cor 2, 8)

O terrível Juízo –  Canto Sérvio

Jesus Cristo Sumo Sacerdote

Interpretação do Salmo 24 na Tradição cristã:

Para Justino, em seu diálogo com o judeu Trifão, o nosso Salmo funcionou como uma profecia da ascensão de Jesus.

Ele o leu em conexão com outros importantes textos bíblicos cristãos: Isaías 53 e Daniel 7, 13.

A passagem de Isaías parece ter lhe fornecido a resposta para a questão de por que Jesus encontrou resistência diante dos portões do céu.

Ele ressuscitou na forma do servo sofredor, e por isso não foi reconhecido pelos guardiões dos portões.

Para Irineu, Jesus não é reconhecido porque estava “em carne”.

Ele também interpreta o diálogo entre o porteiro e aqueles que solicitam acesso como sendo entre anjos dos reinos inferiores e anjos dos reinos superiores.

Tertuliano foi o primeiro a categorizar o Senhor que exigia entrada como homo (“homem”).

Hipólito foi o primeiro a categorizar o Senhor como soter (salvador), um termo com conotações eclesiológicas e políticas.

Curiosamente, os gnósticos também tinham uma interpretação semelhante, que em si não é anticristã.

Eles identificavam a identidade do Senhor com o Salmo 22, 6 : “Mas eu sou um verme e não um homem, desprezado pelos homens e rejeitado pelo povo”.

Orígenes aplica a interpretação escatológica cristã padrão à sua interpretação alegórica da entrada de Jesus em Jerusalém, entendida como sua entrada na “verdadeira” Jerusalém.

A cidade fica atônita com sua entrada e pergunta: “Quem é este?”. Novamente, a confusão se deve à encarnação de Jesus.

Na época de Atanásio, essa interpretação padrão havia se consolidado de tal forma que ele podia simplesmente adotá-la ao interpretar outros textos, como, por exemplo, o tema da encarnação e da exultação em Filipenses 2, 5-11.

Para Atanásio e outros como ele, o Salmo havia se tornado “um meio de tornar concebíveis e narráveis ​​eventos que, de outra forma, seriam impossíveis de conhecer”.

Posteriormente, os Padres da Igreja acrescentaram suas próprias interpretações.

Agostinho interpretou a linguagem mitológica de forma ética, enquanto Ambrósio falou da entrada do Senhor na alma humana.

No entanto, o esquema básico permaneceu o mesmo.

Pelo que pude apurar, um dos Pais da Igreja que adotou uma abordagem inovadora, mas posteriormente popular, foi Gregório de Nissa, para quem o Salmo era um suplemento aos próprios evangelhos escritos, relatando eventos não contidos neles.

Em um sermão sobre o Salmo, Gregório interpreta o duplo questionamento (vv. 7 e 10) como representando dois eventos distintos e dois locais diferentes.

O primeiro diz respeito à descida de Cristo à Terra, onde ele conquistou os portões do Inferno (daí sua identificação como “poderoso guerreiro”).

O segundo refere-se aos portões do Céu, para onde ele retorna após cumprir sua missão.

Para ter acesso ao primeiro, ele se encarnou.

Em sua jornada de retorno, porém, ele permaneceu encarnado, o que explica a incapacidade dos anjos de reconhecê-lo em seu retorno.

Esse tema do “Descida de Jesus ao Inferno” encontra seu desenvolvimento mais significativo no Evangelho de Nicodemos.

Segundo esse relato, dois judeus justos, que haviam ressuscitado pouco depois da ressurreição de Jesus, testemunharam como sua ressurreição realmente aconteceu.

Em resumo, Jesus entrou no Inferno e houve um clamor para que os portões fossem abertos. Satanás respondeu trancando-os por medo.

Os santos escravizados lá dentro clamaram novamente para que as portas fossem abertas.

O parceiro de Satanás, Inferno, pergunta: “Quem é o Rei da glória?”.

O Rei Davi, em sua função de profeta, responde com o Salmo 24, 8 e repete o pedido para que a porta seja aberta.

Inferno prende Satanás e, ao que parece, deixa Jesus entrar.

Jesus entra, estabelece seu “troféu de guerra”, que é a cruz, e então leva todos os santos para o Céu.

Fonte 1: Texto traduzido de “Exegese do salmo 24”

O Ícone:

A imagem une, de modo harmonioso, os atributos régios e sacerdotais de Cristo, sublinhando Sua dupla natureza divina e humana, bem como Sua autoridade universal sobre o Céu e a Terra.

Cristo é retratado frontalmente, com o olhar direto e penetrante, característico dos ícones bizantinos, que transmite uma presença viva e espiritual.

Seu rosto é simétrico, de traços serenos e austeros, com o cabelo dividido ao meio e a barba bem delineada, símbolos da perfeição e da sabedoria divina.

O fundo dourado indica a luz incriada de Deus, que não é uma luz natural, mas a luz eterna da glória celestial.

Na cabeça, Cristo usa uma coroa imperial ricamente adornada com pedras preciosas e miniaturas de santos, representando Sua realeza universal.

Dentro da coroa, observam-se pequenos medalhões com figuras sagradas — provavelmente profetas ou apóstolos — que testemunham a comunhão dos santos e o reconhecimento de Cristo como centro de toda a criação.

A coroa é ladeada por um nimbo prateado com relevos finamente trabalhados, destacando ainda mais a santidade e a majestade divina.

O Senhor veste um omofório e um sacerdócio episcopal, com ricos bordados e cruzes negras sobre fundo dourado e flores ornamentais.

O omofório, vestimenta típica dos bispos, simboliza o papel de Cristo como Sumo Sacerdote eterno, Aquele que intercede pelo mundo diante do Pai, conforme a Epístola aos Hebreus.

A túnica interior, de tom vermelho profundo, alude ao sacrifício e ao sangue derramado pela salvação da humanidade, enquanto o manto e as vestes externas expressam a realeza e a glória do Reino de Deus.

No centro do peito, há um medalhão circular contendo a imagem de uma pomba, representação do Espírito Santo, que revela a presença e a ação da Trindade.

A bênção que Cristo oferece com a mão direita — com os dedos dispostos de modo a formar as letras IC XC, abreviação grega de “Jesus Cristo” — é gesto de consagração e graça.

Sua mão esquerda, não visível neste detalhe, em muitos ícones semelhantes segura o Evangelho, símbolo da Palavra viva e da autoridade divina.

A composição do ícone é dominada por um sentido de equilíbrio e transcendência.

A frontalidade, o olhar sereno e a ausência de movimento remetem à eternidade e à imutabilidade de Cristo, “o mesmo ontem, hoje e para sempre”.

O dourado, o vermelho e o branco predominam, cores que evocam respectivamente a glória divina, o sacrifício redentor e a pureza celeste.

Este ícone, portanto, não é apenas uma representação artística, mas uma janela para o mistério teológico: Cristo é ao mesmo tempo Rei, Sacerdote e Juiz; Ele governa com poder, oferece-se em sacrifício e abençoa com misericórdia.

Seu olhar, que parece penetrar o observador, convida à contemplação e à comunhão com o Deus encarnado que reina gloriosamente nos céus e habita no coração dos fiéis.

À luz do título de Jesus no Salmo 24, onde é proclamado como o Rei da Glória, esse ícone adquire uma dimensão ainda mais profunda. “Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória!” — diz o salmista, e é exatamente essa entrada triunfal que a imagem parece representar. 

Cristo aparece aqui como Aquele que venceu a morte, o Senhor forte e poderoso nas batalhas, o Conquistador do inferno que abre as portas do Reino eterno.

A coroa resplandecente e o nimbo luminoso não são apenas sinais de majestade, mas também da glória divina que transfigura e ilumina toda a criação. Ele é o Rei da Glória que não domina pela força terrena, mas pela luz do amor e pela vitória sobre o pecado.

Seu trono é a Cruz, e sua realeza manifesta-se na humildade do Servo que se fez sacrifício.

Assim, diante deste ícone, o fiel reconhece que Cristo, o Senhor dos Exércitos, é o mesmo Rei glorioso que ascendeu aos céus levando consigo a humanidade redimida.

Ele é a Porta e o Caminho, o Sumo Sacerdote que intercede, o Juiz que reina com justiça e o Rei da Glória que convida todos a participar de Sua eterna vitória.

Fonte 2: Texto produzido por Ian Nezen

Exegesis on the psalm 24 in christian tratidion:

For Justin, in his dialogue with the Jew Trypho, our Psalm functioned as a prophecy of Jesus’ ascension. He read it in connection with the other major Christian proof texts: Isaiah 53 and Daniel 7:13.

The Isaiah passage seems to have furnished him with the answer to the question as to why Jesus experienced resistance before the gates of heaven.

He arose in the from of the suffering servant, as so was not recognised by the keepers of the gate.

For Irenaeus, Jesus is not recognised because he was “in the flesh.”

He also interprets the dialogue between gate keeper and those requesting access as being between angels of the lower realms and angels of the upper realms.

Tertullian is the first to categorise the Lord demanding entrance as homo (“man”).

Hippolytus is the first to categorise the Lord as soter (saviour), a term with ecclesiological and political overtones.

Interestingly, the Gnostics also had a similar interpretation, which in itself is not un-Christian. They identified the identity of the Lord with Psalm 22:6: “But I am a worm and not a man, scorned by mankind and despised by the people”

Origin applies the standard Christian eschatological interpretation to his allegorical interpretation of Jesus’ entrance into Jerusalem, understood as his entrance into the “true” Jerusalem.

The city is astounded at his entrance and asks, “Who is this?” Again, the confusion is due to Jesus’ incarnation.

In the time of Athanasius, this standard interpretation had become so established that he could simply assume it when interpreting other texts, e.g. the motif of incarnation and exultation in Phil. 2:5-11.

For Athanasius and those like him, the Psalm had become “a means of making events which would have otherwise been impossible to know about both conceivable and tellable.”

Later Church Fathers added their own interpretations.

Augustine interpreted the mythological language ethically, while Ambrosius talked of the Lord’s entrance into the human soul.

Nevertheless, the basic schema remained the same.

As far as I can see, one Church Father who took an innovative but later popular route is Gregory of Nyssa, for whom the Psalm was a supplement to the written gospels themselves, reporting events not contained therein.

In a sermon on the Psalm, Gregory understands the two-fold questioning (vv. 7 and 10) as representing two different events, and two different locations.

The first concerns Christ’s descent to earth, where he went on to conquer the gates of Hell (hence his identification as “mighty warrior”).

The second refers to the gates of heaven, where he returns, having completed his mission.

In order to access to the first, he became incarnate.

On his return journey, however, he remained incarnate, thus the inability of the angels to recognise him on his return.

This “Harrowing of Hell” motif finds its most significant development in the Gospel of Nicodemus.

According to this account, two righteous Jews who had been resurrected from the dead shortly after Jesus’ own resurrection give eyewitness reports on how their resurrection actually took place.

In short, Jesus entered Hell and there was a call to open the gates. Satan responded by locking them in fear.

The enslaved saints inside cried out again for the doors to be opened. Satan’s partner, inferus, asks “Who is the king of glory?” King David, in his function as prophet, answers with Ps. 24:8 and repeats the demand to open the door. Inferus binds Satan and, so it seems, lets Jesus in.

Jesus enters, establishes his “war trophy” (Siegeszeichen), which is the cross, and then takes all the saints to Heaven.

Link dos artigos:

Link da fonte 1: https://narrativeandontology.blogspot.com/2009/05/psalm-24-in-early-christian-exegesis-in.html

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