A Santa Proteção – Visão de Santo André – O Louco por Cristo – da aparição na Igreja de Blachernae – Molos Locrido

Sobre a Obra

A Santa Proteção – Visão de Santo André – O Louco por Cristo – da aparição na Igreja de Blachernae – Molos Locrido

Detalhe da Santa Proteção – Visão de Santo André – O Louco por Cristo – da aparição na Igreja de Blachernae – Molos Locrido

Panagia de Blachernae – Constantinopla – Fonte: Catedral Ortodoxa de São Nicolau

Panagia de Blachernae – Constantinopla – Fonte: Orthodox Bros

O ÍCONE – A visão de André

A instituição dessa festa inspirou-se no relato da visão de André, o Louco (por Cristo).⁷

A vida desse santo, traduzida primeiramente para o antigo eslavo eclesiástico e depois para o eslavo, tornou-se muito popular entre os russos.⁸ Para isso, talvez tenha contribuído o fato de que Nicéforo — autor da vida — afirme que André fosse um cita, isto é, um russo.⁹

O iconógrafo quis representar as testemunhas da visão no quadro inferior direito do ícone.

De fato, podemos ver ali um personagem de barba comprida, vestido unicamente de um manto verde (André), com a mão erguida e apontando com o dedo indicador a Virgem, voltado para um jovem de olhar atônito (Epifânio). Porém, leiamos o que nos conta o biógrafo de André:

Celebrava-se uma vigília noturna de louvor próximo à santa Soros das Blachernae, para onde se mudara o beato André, permanecendo ali como de costume; encontravam-se também ali Epifânio e um de seus servos.

O beato André costumava permanecer ali enquanto as forças o permitissem: algumas vezes até a meia-noite; outras vezes, até a madrugada.

Era a quarta hora noturna. O beato André vê claramente a Mãe Santíssima de Deus, que aparece triunfante diante das portas reais, com grande séquito, que incluía também o venerável Precursor (João Batista) e o Filho do Trovão (João Evangelista), que a seguravam, um de cada lado. Há muitos santos com ela, vestidos de branco: uns a precedem, outros a seguem, entre hinos e cânticos espirituais.

Ao aproximar-se ela do ambão, o beato dirige-se a Epifânio e diz-lhe: “Estás vendo a Senhora e Rainha do mundo?”

“Sim, meu pai espiritual”, responde Epifânio.

Ambos a viram prostrar-se de joelhos e orar durante muito tempo, inundando de lágrimas o divino e imaculado rosto.

Após a oração, entrou no santuário, onde orou pelos fiéis.

Terminada a oração, retirou o véu resplandecente que tinha na cabeça imaculada e tomou-o em suas belíssimas mãos imaculadas: estendeu-o, tão grande e reverencial como era, sobre todos os fiéis reunidos ali, que o viram amplamente estendido sobre o povo, irradiando a glória do Senhor como âmbar amarelo. Podia-se ver o véu enquanto permanecia ali a Virgem; inclusive após ter ela desaparecido, ainda se apreciava.

Tinha-o levado consigo, mas deixou sua graça entre os presentes.

Epifânio pôde ver tudo isso, mercê do piedosíssimo Pai, uma vez que, dada a confiança que ele tinha na Mãe de Deus, fez-lhe a graça de participar de sua visão. E, orientando-o por todos os lugares, transmitia-lhe glória esplêndida.¹²

Eis por que o iconógrafo colocou no centro do quadro a Virgem com as mãos erguidas, em atitude de oração.

Segura nos braços um véu branco: o mesmo que estendera sobre os fiéis, como sinal de proteção a todos eles. Canta-se efetivamente nessa festa:

As mãos imaculadas,
em atitude de oração, para o altar ergue,
para o mundo, a paz implorando
e para nós, a graça da salvação.¹³

E uma vez mais:

Misericordiosa,
ao Filho as mãos estende,
e debaixo do santo véu
a proteção o mundo encontra.¹⁴

No ícone, a Virgem está ladeada por dois arcanjos: Miguel, à direita, e Gabriel, à esquerda, cujos escudos nas mãos mostram os anagramas de Cristo.

Ao lado de Miguel, e também com as mãos em atitude de oração, aparece João Batista; ao lado de Gabriel está João Evangelista, com um livro nas mãos.

O grupo forma a base de um triângulo, no qual se encerra a simbologia da manifestação do Senhor. Por isso, canta-se:

O Senhor é contigo
e por teu intermédio ao mundo dá
a graça da salvação.¹⁵

Eis por que, atrás da Virgem, há três anjos, figura da Santíssima Trindade. Não nos deteremos, no momento, sobre esse particular.¹⁶ Porém, chamamos a atenção para o querubim de asas de cor púrpura abertas: é o Anjo do Grande Conselho,¹⁷ isto é, o Verbo Encarnado, a Sabedoria divina.¹⁸

Afirma João Damasceno:

O Filho é a imagem do Pai
e o Espírito Santo é a imagem do Filho.

E Paulo Evdokimov comenta:

Deve-se dizer, com efeito, que a Sabedoria identifica-se igualmente com o Verbo e com o Espírito, com “as duas mãos do Pai”, conforme a expressão de Santo Irineu. (…) Podemos considerar o anjo da Sophia-Sabedoria como o ícone do Espírito Santo, não em sua hipóstase (pessoa), radicalmente escondida, senão enquanto imagem do Filho, conforme palavras de São João Damasceno.

A púrpura de seu rosto é bastante enigmática. Conforme a antiga tradição bizantina, a Sabedoria com o rosto purpúreo parecia-se com o filho do mestre-de-obras da catedral de Santa Sofia, em Constantinopla (…).

A púrpura situa-se no início, na origem da criação. É a primeira palavra da Bíblia: “Faça-se a luz”. É a aurora pré-eterna (que expressa a púrpura) que se levanta por cima do abismo privado de luz e de vida, de onde o ato divino vai tirar a existência (…).

A aurora pré-eterna de púrpura anuncia o meio-dia esplendoroso, a luz do Tabor e da Parusia (Segunda Vinda), o Sol do Verbo Encarnado. O busto de Cristo mostra que começa a obra do Espírito. Cristo vem para fazer descer o fogo; e o fogo é, conforme os Padres, o Espírito Santo.¹⁹

No medalhão do vértice dessa pirâmide, Cristo mostra o Evangelho, “uma sabedoria que não é deste mundo e que, por isso, o homem natural não é capaz de compreender”, uma vez que é “loucura para ele”.²⁰

O Evangelho e a Cruz são os dois símbolos no trono da Segunda Vinda, figura do Verbo e do Espírito.

Em nosso ícone, se quisermos interpretá-lo mediante a chave escatológica, está presente o Evangelho mostrado pelo próprio Cristo, enquanto a Cruz é representada pela cena total da aparição.

De Cristo parte descensionalmente uma vertical que cruza os três anjos, constituindo o pequeno braço de uma cruz, e estende-se para formar o grande braço horizontal que, idealmente, começa à esquerda com a figura de João Batista, o maior dentre os nascidos de mulher,²¹ e termina com João Evangelista, o teólogo por antonomásia, de quem, dentre os discípulos, corria a notícia de que não morreria, para permanecer até a volta do Senhor.²²

A presença de João Batista e de João Evangelista refere-se a um sonho tido por abba Ciríaco, presbítero da Laura de Calamone, perto do Jordão, conforme referência de João Mosco (+ c. 619). Na obra O Prado, o autor narra como, ao procurar Ciríaco, este lhe disse:

Certa vez, apareceu-me em sonho uma Senhora de nobre aparência, vestida de púrpura, acompanhada de dois veneráveis e majestosos varões.

Estavam de pé fora de meu aposento. Compreendi que essa Senhora era Nossa Senhora, Mãe de Deus, e os dois homens eram São João, o Teólogo, e São João Batista.²³

Nas Vésperas da festa assim se canta:

Santificados são o céu e a terra;
resplandece a Igreja; alegram-se todos os povos:
eis a Mãe de Deus, com o exército dos anjos,
o Precursor, o Teólogo, os profetas, os apóstolos,
descendo invisivelmente, suplica a Cristo
que tenha piedade do povo cristão.²⁴

O iconógrafo situou o cortejo dos santos numa espécie de nuvem, mostrando apóstolos, mártires, padres e monges: por exemplo, Pedro e Paulo, representantes dos apóstolos; Jorge, Demétrio, Nicetas e Catarina, dentre os mártires; Basílio, Gregório e João Crisóstomo, dentre os Padres; Antônio, Pacômio e Trifão, dentre os monges; além de outros santos, monges, metropolitas e bispos veneráveis das Igrejas eslavas. Muitas dessas figuras foram escolhidas por devoção dessa Igreja particular, inclusive da escola do próprio iconógrafo.

Canta-se nas Matinas da festa:

Nas asas do espírito, os santos avançam,
formando um coro místico,
para servir-te, ó Mãe de Deus,
porque te veem na nuvem voadora
interceder gloriosa diante de Cristo Salvador.²⁵

A nuvem de santos serve de linha divisória entre as partes superior e inferior do ícone.

Aos pés da Virgem há uma porta de batentes dourados: é a porta do santuário, a porta oriental por onde entrara e saíra Cristo e que, conforme a profecia de Ezequiel, deveria ficar fechada.²⁶

Essa porta de ouro parece formar o tronco de uma árvore ideal que estende seus galhos para os céus. Canta-se, efetivamente, nas Vésperas:

Em ti, Mãe divina, reconhecemos
o paraíso plantado por Deus
e em cujo centro a árvore enche-se de vida,
regada pelo Espírito Santo;
tu, que iluminaste o Criador
que alimenta com o pão da vida a todos os crentes,
roga diante dele por nós
e cobre com teu sagrado véu o povo fiel,
para protegê-lo de todo mal.²⁷

O quadro inferior esquerdo representa dois personagens debaixo do pálio. Através de suas vestes e coroas, vê-se que são imperadores.

Trata-se, com efeito, de Leão VI, o Sábio (886-912), e de sua mulher, Santa Teófano.

Conforme a tradição, André vive na época do referido imperador; a presença de Leão parece justificar-se por esse fato. Teófano apresenta-se não só como imperatriz, mas também por ter tomado parte ativa na basílica das Blachernae.

Em seu último ano de vida, realmente, nesse santuário, consagrou-se sempre, em 893, à oração, ao jejum e à esmola. Depois descansou…

Diante do baldaquino dos imperadores há grande multidão: o patriarca Tarásio (784-806) à frente, cuja presença parece dever-se unicamente ao mérito de ter restabelecido o culto às sagradas imagens, com a colaboração da imperatriz Irene (780-790), em 787.

Talvez esteja aí presente em contraposição aos trezentos e trinta e oito bispos iconoclastas que, embora tendo encerrado o sínodo de Hieria (754) na basílica das Blachernae, conduziram a todos quantos tinham venerado os ícones e feito louvores à Senhora e aos santos.

Romano, o Melode

Verticalmente à Mãe de Deus, com túnica vermelha e um manuscrito aberto em ambão dourado, está Romano, o Melode, que vem depois — na extremidade inferior direita do ícone — representado no leito, em atitude de comer devotamente um rolo que a Senhora lhe oferece.

No Menológio de Basílio II podemos ler:

Romano, originário da Síria, foi diácono da Santa Igreja de Beirute. Chegou a Constantinopla na época do imperador Anastácio (491-518). Foi morar junto ao santuário da Santíssima Mãe de Deus de Ciro, onde recebeu o carisma das sacras composições.

Vivendo piedosamente, velando e participando da vigília noturna (de sexta-feira) nas Blachernae, voltava depois a Ciro.

Certa noite, enquanto dormia, apareceu-lhe em sonho a Santíssima Mãe de Deus e deu-lhe um livro, dizendo-lhe: “Toma esse papel e come-o”.

Era a festa da Natividade. Acordou de repente do sonho e, admirado, pôs-se a cantar os louvores ao Senhor.

Subindo em seguida ao ambão, começou também a cantar: “A Virgem põe hoje no mundo aquele que está acima de todas as coisas”.

Após ter composto cerca de mil cânticos sacros (kondakia), inclusive para outras festas, foi para Deus.

Romano está à frente da porta fechada do santuário porque, como o profeta Ezequiel, no começo de sua missão, recebe um volume para comer, como se lê também no Apocalipse do apóstolo João.

Romano, pois, como André, teve uma visão da Virgem ligada à basílica das Blaquernae.

É, quem sabe, também uma das razões pelas quais a Igreja eslava de tradição bizantina fez coincidir a festa da Proteção (Pokrov) com o dia da comemoração de São Romano, a primeiro de outubro.

Cuidemos agora de esclarecer em que sentido nossa festa relaciona-se, embora indiretamente, com a constantinopolitana de dois de julho, em que se celebra a Deposição da preciosa veste da Virgem Maria.

O vínculo entre ambas as festas é o santuário das Blachernae e a veneração da preciosa relíquia da veste da Mãe de Deus. Para melhor compreender essa raiz comum, permitam-se-nos algumas considerações sobre esse particular.

A veste da Mãe de Deus

Lembremo-nos de que na basílica das Blachernae, em Constantinopla, havia uma capela chamada Santa Casa (Hagia Soros), na qual se guardava a veste da Mãe de Deus.

A relíquia fora levada da Palestina à capital durante o reinado de Leão I (457-474), de modo quase novelesco.

Foi Máximo, o Confessor (c. 580-662), quem nos narrou, na Vida de Maria, a cena com todos os detalhes.

Em vez de parafrasear o texto, preferimos reproduzi-lo literalmente. Eis seu relato:

Na época de Leão Magno, imperador crente do Império Bizantino, que reinou depois de Marciano, houve dois príncipes: um chamava-se Gálbios e o outro Cândidos.

Eram irmãos de sangue e na generosidade; praticavam toda obra boa, menos uma única, cume de todo bem: a verdadeira fé, pois tinham sido dominados pela aberrante heresia de Ário.

A graça de Deus não os abandonou na heresia, precisamente por causa de suas boas obras, e fê-los passar do erro para a verdade.

Embora se comportassem bem dentro da ortodoxia, para agradar em tudo ao Senhor, dedicaram-se a ainda maior misericórdia e liberalidade para com os pobres.

Eis por que a toda santa e imaculada Mãe de Cristo, querendo oferecer uma de suas incorruptíveis vestes à sua cidade, deseja que isso se realize precisamente mediante esses homens amigos de Deus…

Eis como aconteceu:

Os príncipes tiveram o desejo ou a vontade de peregrinar a Jerusalém para venerar os lugares santos.

Comunicaram esse desejo ao imperador Leão e à imperatriz Verina, com o consentimento de quem partiram acompanhados de muitos parentes, amigos e grande número de militares. Reunidos na Palestina, encetaram o caminho para a Galileia, a fim de visitar Nazaré e Cafarnaum.

Ao chegarem, já era tarde. Tinham, pois, de procurar alojamento.

E foi providencial que assim acontecesse. Hospedaram-se numa pequena aldeia onde, com muitos outros, morava uma mulher virgem de idade avançada.

Ela, conforme a lei, era judia, mas, por causa de todas as suas obras, era uma mulher digna e santa, uma vez que sua alma, terra tenebrosa por determinado tempo, tinha-se tornado, a seguir, instrumento digno de receber a luz do conhecimento de Deus.

Essa anciã era encarregada da guarda do tesouro da santa veste da gloriosa Mãe de Cristo.

Por providência divina, pois, hospedaram-se em sua casa Gálbios e Cândidos. Ao sentarem-se à mesa, observando o interior da vivenda, descobriram que era uma casa onde estavam acesos alguns círios; estava cheia de incenso aromático e aí encontravam-se muitos enfermos.

Compreenderam que algo divino estava acontecendo.

E, já curiosos por saber do que se tratava, mandaram chamar a anciã, a fim de que comesse com eles. Na realidade, chamavam-na para interrogá-la sobre o fato. Porém, ela não quis ir, alegando como pretexto a prescrição legal que proíbe a um judeu sentar-se à mesa com cristãos.

Então, apressaram-se em aproximar-se dela para garantir-lhe que não se tratava de impedimento algum. “Tu — dizem-lhe — tomas a comida que preparaste para ti; sentar-te-ás conosco somente para conversar.”

A mulher obedeceu aos mui nobres senhores; sentou-se com eles e começou a falar.

Após os assuntos habituais que costumam surgir à mesa, perguntaram-lhe detalhadamente pelo que havia dentro da casa, pensando que se tratasse de alguma coisa relativa à lei antiga.

A mulher, então, relatou os fatos, mas sem revelar a causa ou motivo.

Diz-lhes, pois: “Estão vendo, senhores, quantos enfermos?

Aqui, por vontade divina, foram vencidos os demônios, foi devolvida a vista aos cegos, a audição aos surdos, o caminhar aos paralíticos e a saúde a todo doente.”

Com muita perspicácia, perguntaram, então, os nobres senhores: “Qual é a causa de tanto prodígio? Diga-nos!”

Ela respondeu: “De nossos antepassados chegou até nós uma tradição conforme a qual aparecera Deus neste lugar a um patriarca; é o motivo pelo qual se faz aqui presente a graça.”

Os gregos, ouvindo isso, duvidaram de que se lhes tivesse dito a verdade. Insistiram eles que lhes dissesse a verdade: “Porque para isso suportamos o cansaço da viagem, a fim de sermos dignos de venerar os santos lugares.” Respondeu mais uma vez: “Nada mais sei.”

Compreenderam que, espontaneamente, jamais lhes viria informar sobre o caso. Porém, a santa Rainha, que queria dar a Bizâncio o grande tesouro, sugere-lhes que continuem buscando a verdade.

Pelo que, com os mais insistentes pedidos, pediram-lhe que lhes comunicasse a verdade e comprometeram-se, mediante juramento, a obrigá-la, pela força, a dizer a verdade.

Falou, então, desde o mais profundo da alma; chorando e com os olhos baixos, diz-lhes: “A ninguém, senhores, até hoje foi revelado esse mistério: meus pais confiaram-no mediante juramento a mim, sua filha única.

O segredo fora confiado a uma virgem, a fim de que ela, por sua vez, no instante da morte, confiasse a outra. Hoje corresponde ao que estais vendo, veneráveis senhores.

O que vem sendo transmitido até hoje à minha família é que uma mulher seria sempre virgem. Porém, depois de mim, não há ninguém a quem possa dar a conhecer o fato; pelo que, vou-vos revelá-lo. Escutai-me, pois.

Encontra-se aí guardada a veste da Mãe de Deus. Com efeito, foi-nos transmitido, através de nossos antepassados, que a Mãe de Deus, Maria, no momento de sua morte, deixou dois vestidos seus para duas mulheres que a serviam. Uma delas era membro de minha família.

Minha antecessora recebeu a veste e a depositou num cofre, confiando-o a nosso cuidado, de geração a geração, e determinando que fosse uma virgem que guardasse o tesouro.

O pequeno cofre encontra-se hoje no centro da casa; nele encontra-se a veste da Virgem Mãe de Deus. É essa a origem dos milagres.

Eis, pois, veneráveis, o verdadeiro relato do fato, do qual ninguém em Israel jamais teve conhecimento.”

Ao ouvi-la, os nobres senhores ficaram espantados, o coração dividido entre o temor e a alegria. Ajoelharam-se aos pés da mulher, dizendo:

“Fique segura de que essa história ninguém em Jerusalém saberá de nós; prometemo-lo.

Confiamos-te à Santa Mãe de Deus em pessoa, mas pedimos-te poder passar a noite no lugar onde se encontra depositado o sagrado tesouro.”

A mulher aceita. Entraram na casa. Ficaram sem dormir e sem fechar os olhos, mas passaram a noite toda em oração, rendendo graças por terem chegado a saber de coisa tão sublime.

Porém, ao verem que dormiam todos os enfermos, tomaram as medidas exatas do pequeno cofre que continha tão valiosa riqueza e copiaram fielmente as formas da madeira.

De madrugada, saíram de repente e, saudando a mulher, disseram: “Se tiveres alguma coisa a transportar de Jerusalém, dize-no-lo, uma vez que, no regresso, voltaremos a passar por aqui.” Respondeu ela: “De nada preciso, a não ser de vossa oração e de poder vê-los novamente em paz.”

Gálbios e Cândidos foram, pois, para Jerusalém; cumpriram a promessa ao Senhor; oraram nos santos lugares; distribuíram grandes somas entre os pobres, aos mosteiros e às igrejas.

Durante sua estada aí, conversaram com um artesão e encarregaram-no de fabricar, em segredo, um cofre de dimensões e formas semelhantes às do pequeno cofre, com madeira envelhecida.

Explicaram-lhe, ponto por ponto, tudo o que era necessário.

O artesão realizou o que lhe tinham pedido. Prepararam também um conopéu tecido de ouro para ser colocado sobre o cofre.

Após terem orado nos lugares santos e nos mosteiros, e após terem obtido a garantia da oração de todos e a bênção do patriarca como viático, regressaram pelo mesmo caminho.

Levando consigo o cofre encomendado, chegaram cheios de alegria às aldeias e ficaram na própria casa da mulher anciã. Ofereceram-lhe círios esplêndidos, muito incenso e aromas agradáveis.

A mulher recebe, emocionada, os nobres senhores como pessoas conhecidas e amigas.

Então, eles lhe pediram novamente poderem permanecer na casa onde se encontrava o tesouro da graça. E mais uma vez foi-lhes concedido.

Entraram, pois, plenamente tranquilos e ofereceram a Deus sua oração (…). Aproximaram-se do cofre sagrado com temor e tremor, enquanto dormiam os que ali se encontravam.

Tomaram o cofre, mediante o beneplácito da divina graça, e envolveram seu tesouro. Colocaram em seu lugar o cofre que tinham encomendado em Jerusalém e cobriram-no com o conopéu tecido a ouro.

Pela manhã, saudaram apressadamente a mulher com a saudação de paz e mostraram-lhe o formoso conopéu com que tinham coberto o cofre, o que muito satisfez à mulher, afirmando-lhe que sempre fora assim. Ofereceram, depois, uma soma aos enfermos e retomaram alegremente o caminho.

Ao chegarem a Constantinopla, isto é, a Bizâncio, não quiseram dar a conhecer o glorioso acontecimento nem ao imperador nem ao patriarca, por medo de que o rei se apropriasse de tão precioso tesouro e ficassem privados desse bem.

Eis por que decidiram guardar a joia preciosa, com a ajuda e proteção da santa Mãe de Deus, sem dar a ninguém a notícia. Possuíam um terreno ao lado de suas casas, junto ao muro que dá para o mar. O lugar chamava-se Blachernae.

Construíram ali uma igreja, cuidando de não revelar a ninguém o segredo. Eis por que dedicaram o templo aos apóstolos Pedro e Marcos. Colocaram na parte central o precioso tesouro.

Cuidaram que não faltasse jamais no santuário uma ininterrupta salmodia, o perene incenso aromático, as lâmpadas e círios continuamente acesos.

O segredo, no entanto, continuou sendo segredo por muito tempo.

Porém, não era do agrado de nossa santa Rainha, esperança e intercessão dos cristãos, que esse bem fosse reservado somente aos príncipes e se mantivesse em tamanho segredo que só eles se beneficiassem dessa riqueza comum a todos. Fez, pois, entender aos dignos príncipes que revelassem o segredo.

Acercaram-se, pois, de Leão, imperador crente e servidor de Deus, e comunicaram-lhe o fato, referindo-lhe como o rico tesouro tinha chegado à cidade imperial.

Ao sabê-lo, encheu-se de grande alegria o rei crente e imediatamente fez publicar a notícia.

Os bem-aventurados Gálbios e Cândidos, por terem realizado esse divino serviço, foram objeto de homenagem por parte de todo o povo.

Leão, imperador, servo de Deus, e Verina, a rainha crente, com os recursos imperiais edificaram, naquele lugar, magnífica igreja; prepararam um cofre de ouro e prata e colocaram nele o tão santo tesouro; enriqueceram a igreja com donativos e incontáveis ornamentos para sua eterna memória.

Decorrido o tempo de seu reinado na prática do bem e da virtude, o imperador Leão e Verina passaram para a vida eterna. Gálbios e Cândidos, crentes e servos de Deus e de sua santíssima Mãe, cumpriram também seus dias na fé e no serviço ao Senhor. Como riqueza eterna para o povo fiel e para a cidade, serva de Deus, aí ficava a arca do mistério.

Não se depositaram nela as tábuas esculpidas por Moisés: depositou-se a santa e venerável veste da gloriosa e muitíssimo bendita Mãe de Deus.

Referida veste não só cobriu seu corpo imaculado e incorruptível, senão que mais de uma vez envolveu a Cristo Deus, quando, encarnado e dela nascido para nossa salvação, era ainda criança e mamava, como qualquer um de sua idade, aquele que é vida e dá vida e incremento a toda criatura.

Por isso, permanece incorrupta desde então até hoje essa santa veste da puríssima Mãe de Deus, merecedora de toda veneração.

Naquele momento, junto ao santuário construído por Pulquéria entre os anos 450 e 453, Leão I, no ano de 473, edificou a capela da Santa Casa (Hagia Soros), depositando aí a veste trazida da Palestina pelos dois irmãos. Sobre o altar, mandou pintar um ícone da Mãe de Deus, sentada em trono recoberto de ouro e pedras preciosas.

Eis, pois, a origem da festa do dia dois de julho em Constantinopla. O patriarca Timóteo I (511–518) instituiu uma vigília com procissão para todas as sextas-feiras.

O “Perene Milagre”

À comemoração semanal da sexta-feira, no reinado do imperador Romano III (1028–1034), acrescenta-se um fenômeno designado como “perene milagre”, referido por Miguel Pselo (1018–c. 1078).

Em que consiste esse “milagre”, podemos sabê-lo mediante manuscrito latino conservado em Paris:

Existe em Constantinopla uma célebre basílica chamada Lucerna Blaquerna, dedicada à sempre Virgem Maria.

Há ali, pintado no estilo grego, um ícone de Maria Rainha que carrega no seio o nobre Filho primogênito.

A imagem da gloriosa Virgem é coberta por um véu de seda pura, como sinal de veneração; habitante algum pode ver o rosto da divina Virgem até a sexta-feira, quando aparece vestida de púrpura pelo mistério da Cruz.

Então, ao pôr do sol, com o começo do ofício solene vespertino em honra a Maria, o véu que cobre o rosto da Senhora ergue-se mediante invisível intervenção divina e permite aos habitantes contemplarem o divino tesouro.

Suspenso no ar através de milagre divino, o véu permanece imóvel durante toda a vigília noturna e todas as horas do sábado.

Enquanto se cantam os louvores a Maria e se celebram os ofícios solenes do domingo, sem interferência de ninguém, desce sobre a imagem mariana o véu e a cobre em meio à veneração geral.

Eis como a festa do Filho coincide com a da Mãe, honrando-se ambos mutuamente. Nunca atrasa nem adianta o relógio mariano que marca as horas-limite para aquele véu, com certeza, sem interferência artificial alguma dos gregos.

Desde a chegada da veste da Mãe de Deus à capital, todos os fiéis têm a sensação clara da presença perene da Virgem no meio deles. Essa relíquia vem A ser, assim, o grande arrimo da cidade.

Chegou, caríssimos, o momento de recorrer à Mãe do Verbo, nossa rica esperança e único refúgio.

Apresentamos-lhe nossas súplicas: “Salva, Senhora, nossa cidade… Tu sabes muito bem como!”.

Apresentemo-la como medianeira nossa diante de seu Filho e nosso Deus; tomemo-la como testemunha firme de nossa aliança: é ela quem encaminha nossos pedidos e faz chover sobre nós a misericórdia de seu Filho.

Assim falou o patriarca Fócio (858–867; 878–886), durante o terrível assédio de Constantinopla pelos russos, no ano 860.

De repente, os russos suspenderam o assédio e retiraram-se. Não havia dúvida: uma vez mais a Mãe de Deus, através de sua veste, salvara a capital do Império.

E Fócio continua, dizendo:

“Enquanto a cidade toda levava comigo, em procissão, sua veste, para repelir os assediantes e proteger os assediados, oferecemos espontaneamente nossas súplicas e entoamos a ladainha.

E ela, inefavelmente compassiva, respondeu prontamente mediante sua intercessão maternal. Deus compadeceu-se, diminuiu sua ira e o Senhor teve compaixão de sua herança.”

Verdadeiramente, a veste santíssima é uma roupa da Mãe de Deus. Protegeu as muralhas e, inexplicavelmente, os inimigos puseram-se em fuga.

Protege-se a cidade com a veste e, como diante de um sinal, desfaz-se o acampamento dos inimigos. A veste circundou a cidade como se fosse um enfeite, e os inimigos perderam todas as esperanças.

Com efeito, a veste da Virgem deu uma volta às muralhas, e os bárbaros suspenderam o assédio, removendo o acampamento.

E nós ficamos livres do perigo de saque e recebemos a salvação súbita.

Foi uma das muitas vezes que a relíquia protegeu a cidade e o império.

Para um habitante de Constantinopla, Blachernae era, pois, sinônimo de santuário da Virgem. E o santuário era a expressão da proteção da Virgem. O sinal visível ou penhor da proteção celestial era a veste, um elemento concreto da benevolência.

Criada para celebrar um acontecimento real, a festa constantinopolitana transformou-se naturalmente em ideia abstrata: a “ideia da proteção mariana” do mundo cristão, que se propagara no Oriente e no Ocidente através da imagem-símbolo da veste e do manto, particularmente.

A hinografia expressa claramente essa transformação. Entre os eslavos tiveram eco versos como os seguintes:

“Tu és, ó Imaculada, com teu venerando manto,
a expressão dos céus, vestidos de nuvens;

prostrando-nos diante dele com fé e confiança,
de nossas almas proteção te proclamamos.

O hábito com que vestiste teu corpo
deste-o a teus fiéis
como veste de incorruptibilidade;
tu és proteção divina dos homens.”

Teve eco entre os eslavos:

“Cobre-nos, ó Rainha,
com o manto de tua misericórdia,
ó proteção e defesa dos homens,
proteção e força dos crentes,
proteção do mundo.”

Embora tenha sua origem em terras eslavas, a Festa da Proteção estende-se, pois, até Constantinopla e transmite as manifestações da bondade divina que tiveram lugar no santuário de Blachernae.

Conclusão

Escolhemos, para conclusão, uma invocação cantada nas Vésperas da festa eslava de primeiro de outubro:

Tu és, puríssima Mãe de Deus,
protetora dos aflitos
e seu mais diligente socorro,
a salvação do mundo e seu mais firme sustentáculo,
oceano de misericórdia,
fonte da divina sabedoria,
proteção universal.

Entre cantos, fiéis, celebramos,
com inefáveis louvores, teu véu resplandecente.
Alegra-te, cheia de graça:
o Senhor é contigo, e por mediação tua
dá ao mundo a graça da salvação.

Hinos e Orações

GRANDES VÉSPERAS

I. Tu és, puríssima Mãe de Deus!

Tu és, puríssima Mãe de Deus, protetora dos aflitos e seu mais seguro socorro, a salvação do mundo e o mais seguro sustentáculo, oceano de misericórdia, fonte da divina sabedoria.

Entre cantos, fiéis, celebramos com inefáveis louvores teu véu resplandecente. O Senhor é contigo; por teu intermédio, proteção universal, alegra-te, cheia de graça: dá ao mundo a graça da salvação!

Foi o profeta Isaías quem o vira: “Nos últimos dias brilhará o monte do Senhor; fixará morada no cume dos montes.” Em ti, Senhora nossa, nós contemplamos cumprida de verdade a profecia, porque montes e desfiladeiros enfeitados surgem de templos a tuas festas dedicados, sob tantos e tantos títulos.

Por isso nós te cantamos:
Alegra-te, cheia de graça:
o Senhor é contigo e, por teu intermédio,
dá ao mundo a graça da salvação!

Tu és totalmente fiel ornamento admirável, cumprimento real da profecia, glória dos apóstolos, ornato dos mártires, joia da virgindade, proteção admirável do mundo inteiro. Cobre, pois, Senhora nossa, com teu véu o povo que hoje canta-te agradecido.

Alegra-te, cheia de graça:
o Senhor é contigo e, por teu intermédio,
dá ao mundo a graça da salvação.

II. Em ti, divina Mãe

Em ti, divina Mãe, vemos o paraíso pelo próprio Deus planejado, com a árvore da vida no seu centro, regada pelo Espírito Santo. Tu geras o Criador, que é o pão da vida e a todos os crentes alimenta. Pede, com o Precursor, a teu Filho por nós e cobre o povo fiel com teu santo véu, para protegê-lo de todo mal.

Santificado é o céu, e santificada é a terra; resplandece a Igreja, alegram-se os povos todos. Eis a Mãe de Deus, com o exército dos anjos, o Precursor, o Teólogo, os profetas e os apóstolos, descendo invisivelmente: suplica a Cristo que tenha piedade do povo cristão Que veneram teu véu protetor.

Como encanto de Jacó, como escada dos céus
pela qual descera o Senhor à nossa terra,
desde antiga e antecipadamente as imagens
tua honra, divina Mãe, e tua glória revelaram
e, como Mãe de Deus, ditosa proclamam-te
os anjos no alto céu

e, na terra, os humanos,
porque tu a favor de todos intercedes,
com tua grande piedade cobrindo a todos
quantos tua festa venerável hoje celebram.

III. Conosco as celestes hierarquias

Conosco as celestes hierarquias,
um mesmo coro em espírito formando,
alegram-se por ver a tão régia Soberana
com tantos nomes pelos fiéis enaltecida.

És mesmo assim alegria dos justos,
quais testemunhas e expectadores dessa visão:
“Suas mãos imaculadas,
orante, ao alto eleva,
para o mundo a paz implorando
e para nós a graça da salvação”.

IV. Hoje és, Virgem toda pura

Hoje és, Virgem toda pura,
a festa luminosa de tua Proteção.
Tu brilhas mais que o sol sobre os fiéis
que, com coração sincero, reconhecem-te
verdadeira Mãe de Deus,

cantando a teu Filho:
“Pelas súplicas da sempre Virgem
que te gerou sem mancha,
não entregues tua herança, Cristo Deus nosso,
ao inimigo que nos assedia;
e, por tua misericórdia, dá-nos paz e salvação”.

Os povos, herança de teu Filho,
palavras não encontram, puríssima Soberana,
para dignamente cantar os louvores
que, por seu amor, dirigir-te quiseram,
uma vez que não cessas de velar pelos crentes,
protegendo-os com teu resplandecente véu
e implorando a salvação para todos eles
que te veneram como santa e imaculada
Mãe de Deus.

Aqui e agora reunidos, ó Rainha de todos,
ditosa proclamamos: és a Virgem pura, imaculada,
Mãe de Cristo Deus nosso.
Incessantemente as mãos ao Filho estende,
assim a viu no ar Santo André,
cobrindo com seu véu a todo o povo.

Cantemos-lhe, pois, fervorosamente:
Regozija-te, socorro, proteção
e saúde de nossas almas.

Já purificados os nossos corações,
o lugar de teu descanso vem visitar.
Também nós, com os anjos,
alegres a festa celebramos,
entoando o salmo que Davi cantara
à jovem Esposa do Rei de todos,
Cristo Deus nosso:

“Levanta-te, Senhor,
para tu e a arca de tua santidade.
Qual magnífico palácio tu a ornaste, Senhor,
e como herança deste-a à tua cidade,
para defendê-la, protegê-la
e libertá-la do poder inimigo,
com teu poder e pela mercê da súplica
que ela até ti chegar fizera.”

V. Mais excelsa que os céus

Mais excelsa que o céu e a terra,
mais gloriosa que os próprios anjos,
e em todo o universo de louvor a mais digna,
Cristo confiou-te o povo cristão:
és seu amparo e poderosa proteção
de quem a ti recorre em defesa e salvação.

Por isso nós, Senhora nossa,
refúgio de todos, proclamamos-te;
com alegria e esplendor tua festa celebramos,
por teu intermédio a Cristo Deus pedindo
a graça da salvação.

Cantemos, povos, cantemos hoje alegres
o salmo de Davi à Esposa imaculada,
à Mãe de Cristo, nosso Rei e nosso Deus:
“À tua direita, Senhor, está a Rainha,
vestida de brocados e carregada de ouro”,
a mulher dentre todas escolhida
e que a todos supera em excelência,
da qual tu, Senhor, nascer quiseste
em teu maior amor para com os homens,
a única mais bendita, dada a teu povo
para ajudá-lo, sustentá-lo
e proteger de todo mal teus fiéis servidores.

Mais santo, mais alto e mais glorioso monte
és, Mãe de Deus, que o monte Sinai:
este não pôde suportar a presença
de Deus entre sombras e imagens,
sem arder entre trovões e relâmpagos;
tu, porém, sem consumir-te,
pela virtude de quem sustém o universo,
o fogo divino, o Verbo de Deus,
em teu seio carregas.

Pelo crédito que, como Mãe sua,
diante dele possuis,
vem, Senhora, em auxílio de teus fiéis
que hoje tua festa com júbilo celebram.
Visita-nos, Senhora, em tua ternura,
pois do Senhor poder recebeste
para reger o povo fiel e protegê-lo
como brilhante diadema.

Puríssima Mãe de Deus,
leva à Igreja teu véu sagrado
e, exultante de alegria neste dia,
celebra o mistério, proclamando:
Regozija-te, precioso ornamento,
refulgente coroa da glória de Deus;
enche de graça nossa eterna alegria!
Regozija-te, protetora de quantos a ti recorrem,
oásis de paz, nossa âncora de salvação.

Tua luminosa festa, ó Mãe de Deus,
hoje celebramos nós que tua proteção sentimos.
Teu ícone venerável contemplando,
com coração fervoroso dizemos-te:
cobre-nos com tua mão protetora,
livra-nos de todo mal
e pede a Cristo, Filho teu e nosso Deus,
que conceda a nossas almas a salvação.

MATINAS

I. Visita, Mãe de Deus

Visita, Mãe de Deus, a estes teus servos
e roga a Cristo nosso Deus
que nos conceda a graça da salvação.
Tu, a quem de divinos esplendores
as hostes angélicas coroam,
e os profetas e apóstolos veneram,
aos débeis comunicas força.

Pura Mãe de Deus,
graças a ti são exaltados os humildes;
és para todos proteção,
és diante de Deus a mediadora.

Clamamos-te, puríssima e santa Virgem,
venerando tua divina proteção,
pois Santo André do alto te contempla
rogando por nós a Cristo nosso Deus.

Mais precioso que o arco-íris,
teu santo véu de verdade dá
brilho espiritual mais deslumbrante
que o do ouro e da prata.
Por tuas puras e imaculadas mãos distendido está,
Senhora nossa, como defesa dos fiéis.
Por isso hoje, de coração, celebramos
a esplendorosa festa de tua proteção.

Formando um só coro conosco,
hoje alegram-se as hostes celestiais
por ver-te, como régia Senhora,
com mil nomes pelos fiéis venerada.
Tu és para os justos, testemunhas presentes
de tão grande visão:
a Orante que, com as mãos erguidas,
implora a paz para o mundo
e para nossas almas a salvação.

II. Abrir-se-ão meus lábios

Abrir-se-ão meus lábios
e do Espírito Santo ficarão cheios;
à Mãe do Rei dedico meu poema
e, nesta festa solene,
cantar ver-me-ão, alegre, suas grandezas.

Com os santos anjos, orante,
orante com os profetas e apóstolos,
hoje, presente na Igreja por seus filhos,
rogas como Mãe de Deus gloriosa que és,
de toda aflição livrando-nos
e cobrindo-nos com tua misericórdia.

Moisés chamou-te tabernáculo e vara de Aarão,
porque a Cristo, a árvore da vida, florescer fizeste.
Dado o crédito que tens diante do Filho,
por quem te veneramos, pede, Virgem Rainha,
que nos livre de todo mal,
para assim a festa de tua Proteção
podermos alegres celebrar.

Diante da arca não dança como outrora
Davi em coro com os seus?
Em coro com os santos, como hoje te cantam,
os que, acudindo alegres a teu templo,
de joelhos diante de ti prostrados pedem
que rogues pelo povo que assim te honra,
a fim de podermos dignamente
tua Proteção agradecer nesta festa.

A ti, Mãe de Deus, os anjos cantam;
patriarcas e pontífices te exaltam.
Diante de ti fazem-se presentes todos eles,
com quem antigamente Santo André
te contemplara,
rogando a Deus por nós, pecadores,
e impetrando misericórdia para o povo
que jubiloso tua Proteção celebra.

III. Guarda sob tua proteção

Guarda sob tua proteção,
Mãe de Deus e fonte inesgotável da Vida,
aqueles que, com seus hinos e seus louvores,
cingem sua cabeça em tua digna glória
com a coroa dos vencedores
e te veneram.

És, sim, terra virgem, mas fecunda,
que a espiga divina germinar fizeste.
Alegra-te, mesa viva do pão da vida,
Senhora nossa; regozija-te,
fonte inesgotável de água viva.

Somos teus servos que, com fé, acudimos
a teu templo com cânticos e orações,
uma vez que em tua grande piedade nos apoiamos.
Remedeia, Senhora, nossa pobreza,
guarda-nos de todo mal
e protege com teu véu o povo fiel.

Com mil nomes, ó Virgem, desde antigamente,
batizaram-te os profetas, que agora,
com os anjos, te servem
e, em tua companhia, por nós a Deus rogam,
pois tua santa Proteção hoje festejamos.

Gedeão pressentiu-te qual velocino
sobre o qual, como celestial orvalho,
desceu Cristo nosso Deus.
Pede que vencer ao inimigo nos conceda,
como antigamente em Madiã,
e assim glorificada seja tua festa.

Contudo, mais que o sol resplandecente,
ao povo fiel iluminas e à Igreja.
De nossos pecados dissipas as trevas
com tua visita e intercedes por nós,
como Mãe divina, diante de teu Filho, Deus nosso.

IV. Quem glorioso se senta

Quem glorioso no trono da divindade se senta,
em nuvem ligeiríssima chegou:
é Jesus, nosso divino Salvador,
quem, com mão poderosa,
salvou a quem lhe canta:
“Glória a teu poder, Cristo Deus nosso!”

Ao som de nossos cânticos, Virgem santa,
digna de nossos louvores, proclamamos-te:
Salve, fértil monte pelo Espírito fecundado!
Salve, candelabro e arca portadora do maná
que cobre de doçura todo fiel.

Mais que a arca de Aarão, Mãe divina,
por seu Espírito Deus santificou-te
e a ordem de servir-te deu a seus anjos.
Com eles, roga, pois, por nosso povo
que hoje celebra tua festa veneranda.

A teu templo, ó Mãe de Deus, gloriosa, vens hoje
com a comunidade de todos os santos,
qual te vira Santo André, um dia,
nas alturas, mais que o sol, resplandecente,
rogando pelos cristãos:
tua misericórdia concede-nos, Senhora.

Como Davi diante do feroz Golias,
aos cruéis inimigos, Senhora, desbaratas.
Alegres glorificam-te os fiéis,
e alegres nós te cantamos:
Salve, sacrossanto véu!
Salva, de nossa cidade grande protetora!

Diante de ti, Senhora nossa, eu me inclino
e prostro-me com fé e agradecido.
Salve, Virgem cheia de graça,
nosso amparo e proteção,
auxílio dos desgraçados!
Salva-nos, porque recorremos a ti,
porque em ti se apoia nossa esperança.

V. Por tua divina glória

Por tua divina glória, Virgem toda pura,
o universo inteiro profundamente tocado fica,
porque a Deus transcendente e eterno
em teu seio virginal geraste
e aos homens um Filho atemporal nos deste,
que salva a quem hoje canta teus louvores.

Salomão outrora, Mãe divina, chamou-te
liteira do grande Rei,
por serafins escoltada.
Nós, Mãe de Deus, hoje pedimos-te
que de todo mal, benigna, nos defendas.

Anjos, apóstolos e profetas
servem-te, Mãe de Deus, com reverência;
ao ver-te interceder por todo o mundo,
tua prece escutando, contente,
ao povo que em ti espera o Senhor salva.

O profeta Isaías, séculos antes,
vaticinou que a Deus virginalmente
o farias teu Emanuel, Deus conosco.
És, pois, Maria, de todos a mais santa,
porque a Deus em teu seio e em teus braços
carregaste.

Roga-lhe por nós que, à sombra
de tua proteção, hoje com fé damos-te glória,
nas asas do Espírito voando.

A servir-te os santos acorrem à porfia,
Mãe de Deus, ao ver-te na nuvem ligeiríssima,
diante de Cristo, o Senhor, intercedendo
para que, humilhando o inimigo feroz,
conceda aos cristãos a vitória.

VI. Vinde, fiéis

Vinde, fiéis, batei palmas,
e a festa divina celebremos
da Mãe de Deus, nossa Senhora,
glorificando a Cristo por ela concebido.

Sacerdotes e povo, hoje em teu templo,
de ti, Mãe de Deus, misericórdia imploram:
transforma nossa pena em gozo,
tu que geraste a maior alegria
que tira o pecado do mundo.

A terra seus dons hoje oferece-te
como Mãe de Deus e como Rainha:
príncipes e reis diante de ti se prostram
e, mercê de tuas súplicas, seguros
e cheios de alegria sentem-se os povos.

○ O profeta Daniel deu-te como nome
“altíssima montanha”, pois de ti,
sem germe de varão, nascera Cristo,
vencedor do demônio e de suas insídias,
fonte, para os homens, da vida.

Roga-lhe, Mãe santa, por nós,
que a festa de tua Proteção hoje celebramos.

A saudação do anjo, tomando em nossos lábios,
dizemos-te: alegra-te, divino trono,
no qual Ezequiel ao Senhor vira,
sob rasgos humanos, por querubins carregado.
Pede-lhe, Mãe divina, por nós
e pede-lhe que salve nossas almas.

VII. Embora invisível, gloriosa

Embora invisível, gloriosa,
hoje no templo a Virgem apresenta-se
com os santos, rogando a Deus por nós.
Os anjos, os profetas,
os pontífices e apóstolos,
reverentes a veneram,
porque a Mãe divina,
diante do eterno Vivente,
por nós intercede.

VIII. Vinde, povos, degustai

Vinde, povos, degustai
os estupendos milagres:
por ela, Adão libertado
da corrupção saiu;
ela é a arca, por Deus,
não por Noé fabricada.

Moisés, a sarça ardente,
a Deus descobrir não soube,
enquanto nós sabemos
reconhecer em ti, Virgem,
a Mãe do próprio Deus,
por nós Emanuel.

Como, pois, não enaltecer-te,
Mãe e Rainha soberana?
És a Mãe divina
que diante do eterno Vivente
por nós intercede.

IX. Os fiéis de Deus

Os fiéis de Deus Altíssimo
ao Criador, não à criatura, adoraram,
o fogo afrontando generosos
e na fornalha, em uníssono, cantando:
“És digno, Senhor, de todo louvor,
bendito sejas, Deus de nossos pais!”

○ O mistério aos profetas revelado
aos anjos de Deus oculto esteve;
todos, Virgem bendita, hoje conhecemos
tua maternidade divina e todos, todos,
proteção implorando, a ti acorremos.

Montanha pelo Espírito prolífica,
vertendo doçura e cura sobre os fiéis,
contemplou-te Habacuc, profeta.
Cura e sara, Virgem Mãe de Deus,
a quantos hoje cantamos a teu Filho:
“Bendito sejas, Deus de nossos pais!”

Quem como toldo os céus estendera,
em ti fez sua morada,
e agora, Virgem bendita e Mãe de Deus,
tuas súplicas acolhe, tua súplica escuta,
porque de coração o pedes por nós
que em ti nossa esperança colocamos.

Acolhe, Cristo, Criador e Salvador nosso,
a oração intercessora de tua Mãe
a favor de nós, pecadores,
que a ti nosso louvor dirigimos:
“Bendito sejas, Deus de nossos pais!”

X. Da Mãe de Deus

Pelo nascido da Mãe de Deus,
da fornalha libertados foram os nobres jovens;
o que apenas imagem fora antigamente
hoje torna-se realidade,
porque na plenitude encontra o universo
que continua sem parar cantando:

“Louvai ao Senhor todas as obras,
a Ele todo louvor pelos séculos!”

Com os coros angélicos,
com os profetas, apóstolos, pontífices e mártires,
a Deus, Senhora nossa, roga por nós,
que com os povos da Rússia celebramos
a festa de tua Proteção.

Humilha os soberbos e orgulhosos,
ó Rainha e Soberana, Mãe de Deus;
somente aos promotores da guerra.
Defende o povo fiel, Virgem imaculada,
para que possa tua festa celebrar, cantando:
“Louvai ao Senhor todas as suas obras,
engrandecendo-o pelos séculos dos séculos!”

○ O canto que hoje brota de nossos lábios
oferecemos-te
com o fogo que por dentro nos abrasa.

Compadece-te, Mãe puríssima de Deus,
de quem a ti nossa súplica elevamos,
ao Senhor enaltecendo pelos séculos.

Sob o peso de meus muitos pecados,
proclamar não posso, Mãe divina, como convém,
os louvores de tua Proteção;
porém tu, Mãe de Deus, prodígios mil
em tua santa festa à nossa vista ofereces,
para podermos com alegria ao Senhor cantar
e para sempre louvá-lo e engrandecê-lo.

XI. Que o Filho desta terra

Que o Filho desta terra exulte jubiloso,
sua luminária acesa sustentando,
enquanto no céu, alegres, os anjos celebram
a festa da Mãe de Deus, cantando:
Alegra-te, ditosa e sempre Virgem Mãe de Deus!

Tu que, como supremo Rei, sentas-te com o Pai
e que pelos serafins és exaltado,
recebe a oração que por nós, pecadores,
dirige-te tua Mãe, e tira-nos as culpas.
Salva teu povo, multiplica teus fiéis,
concede-lhes saúde do corpo
e dá-lhes vencer o inimigo,
por intercessão de quem te carregou no seio.

A saudação do anjo, Virgem, dirigimos-te:
Alegra-te, por quem Adão ao paraíso retornara;
alegra-te, por aquele a cujo nome
estremece o averno;
alegra-te, esperança dos fiéis,
santificação de nossas almas, nossa proteção.

Lembra-te de nós, teus filhos,
Virgem soberana e Mãe de Deus,
a fim de que o grande número de nossos pecados
não nos faça perecer.

Protege-nos de todo mal, de toda adversidade.
Em ti esperamos e, tua festa celebrando,
com alegria e em uníssono, Rainha,
proclamamos-te.

Como Mãe de Deus, dele recebeste
curar os males de todo crente,
livrar-nos de toda adversidade,
afugentar o pecado e toda culpa,
libertar da prisão e dos perigos.
Não nos desampares, Senhora nossa,
pois conheces muito bem nossa miséria:
dá-nos saúde do corpo
e salvação para a alma.

XII. Santíssima Senhora

Santíssima Senhora,
Virgem Mãe de Deus,
benigna, com teu véu milagroso
cobre-nos e a teu povo
defende do maligno,
tu a quem o santo André, nas Blachernae,
em atitude orante, contemplara.
Obtém-nos, Senhora e Mãe,
a graça da salvação!

LAUDES

De joelhos diante de ti

De joelhos diante de ti, Senhora nossa,
humildes te rogamos e dizemos:
Alegra-te, bendita e bem-amada,
Virgem com tantos nomes exornada,
por antigos profetas tão cantada.
Sobre ti desceu, como orvalho,
Cristo, o Filho de Deus e Senhor nosso.
Sem conhecer varão, ó Virgem pura,
deste carne ao Emanuel, Deus-conosco,
e em teus braços carregaste o Criador.
Intercede diante do Filho por nós,
que tua santa Proteção hoje celebramos.

Os anjos cantam-te, Virgem Mãe;
louvam-te os patriarcas e pontífices;
com respeito servem-te os apóstolos,
enquanto tu pelo mundo diriges o rogo
ao Salvador de todos, Deus nosso.
Senhora e Mãe, pede-lhe que salve
a quem hoje celebra tua santa Proteção.

Senhor nosso Deus, à divina Mãe,
com seu Espírito Santo,
deu a plenitude de toda graça.
Mais que a arca de Aarão, és toda santa.
Teu véu, mais que o sol resplandecente,
ilumine a Igreja e os fiéis,
dissipe as trevas do pecado,
livre de todo mal
a quem hoje celebra tua santa Proteção.

 Notas de rodaóe

7. Os salos fingiam-se de loucos para merecer o desprezo e a humilhação dos outros e faziam-no por amor a Cristo. Sobre semelhante fenômeno religioso, cf. RYDEN Thre holy fool, en S. HACKEL, The byzantine Saint. London, 1981, 106-113; T SPIDLIK, I grandi mistici Russi, Roma, 1977

8. Cf. RYDEN, The vision…, 74-82; e a introducão ao volume Leonzio di Neapoli-Niceforo prete di S. Sofia. I Santi folli d Bizancio. Vite di Simeone e di Andre.de P. CESARETTI. Mi- lão. 1990, sobretudo a nota XXX

9. André foi levado, ainda criança, para Constantinopla, como escravo de um funcionário, conseguindo depois emancipar-se. chegando a ser notário. Tendo dado indícios de loucura, é in- ternado como enfermo. Declarado incurável, fica abandonado a si próprio. Leva, pois, uma vida errante, dedicando-se à ora- ção, às vigílias e as boas obras, fingindo-se sempre de loucc para humilhar-se,

10. No bairro das Blaquernas, no extremo norte da cidade, ficava a Igreja da Mãe de Deus, onde era guardada a santa Soros (Casa) que continha a veste da Virgem. Falar-se-á de tudo isso na se- gunda parte deste trabalho.

11. Chamou-se “boanerge.s’ (filho do trovão) juntamente com 0 irmão Santiago pelo caráter “impetuoso’ dele (cf. Mc 3,17).

12. Leonzio di Neapoli-Nicéforo di’S. Sofia, I Santi folli di Bizancic e Vite di Simeone e di Andrea, 233-234

13. Hino, tom IV das Vésperas.

14. Theotkion (Hino da Senhora) das pequenas Vésperas da festa

15. Hino. Tom I das Vésperas.

16. Cf. PASSARELLI. O ícone da Trindade (Iconostásio 3).S. Paulo. Brasil. 1966.

17. Is 9,6 dos LXX. As iconografias, obrigatoriamente simbóli- cas, tinham sido proibidas pelo Cânon 82 do Concílio Trulhano (680-681), mas sempre tinham-se tolerado.

18. Diz-se no Evangelho de Lucas, 7,33-35: “Pois, veio João Ba- tista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possuído do demônio. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seusfilhos. Uma das leituras bíblicas prescritas para as Vésperas da festa é a de Prov, 9,1-1 1 sobre a Sabedoria (cf. as segunda parte deste opúsculo onde se reúnem os hinos e as oracões).

19. P. EVDOKIMOV, El arte del icono, Teología de la belleza, Madrid 1991. 347-351.

20. 1 Cor 2,6.14.

21. Mt 11.11.

22. Jo 21.20-23.

23. Il prato, 46; G. MOSCO, Il Prato (apresentação, tradução e comentário de R. MAISANO), Napoli, 1982,94.

24. Hino, tom I.

25. Matinas, ode V, hino 5

26. Cf. Ez 44,2-3; cf. PASSARELLI, O ícone da Natividade da Mãe de Deus (conostásio 20), S. Paulo, Brasil, 1966. 20

27. Hino, tom IV.

28. Cf. R. JANIN, La géographie ecclesiastique de l’Empire byzantin, tomo 1. La siège de Constantinopla et le Patriarcar oecuménique, tomo III. Les églises et les monastères, 2 e ed. Paris, 1969, 168-171.

29. Cf. PASSARELLI, O ícone da Natividade (Iconostásio 20), São Paulo, Brasil, 1996.

30. Testi Mariani del Primo Millennio, Roma, 1989 = TMPM, II II. 1044: PG 117, 81; para os hinos, cf. GHARIB, Romano il Melode, Inni, Roma, 1981

31. Ez 2,8-10; 3,1-3.

32. Ap 10, 2.8-11.

33. Cf. sobre outras hipóteses RY DEN, ob. Cit., 75ss

34. Foi destruída em 1434, por violento incêndio involuntariamente provocado por jovens que caçavam pombos

35. A Santa Soros ( Casa ).

36. TMPM. II. C. X. 275-280: cf. Homilia sobre a Dormicão de Juan Kyriotis Geómetra (s.X). 6 (cf. TMPM. II. 955-959): Dis- curso que trata de los temas relativos a la veneranda natividaa y educación de la Santisima Madre de Dios, nuestra Señora. De Simeón Metafraste (+ c. 1000). 44-53 (TMPM. II, 1012- 1019): PG 117. 503.

37. Cf. JANIN, ob. Cit. 161-171.

38. Partia a procissão do santuário das Blaquernas e terminava no de Calcoprateia, onde se guardava o cinturão da Virgem, hoje venerado no mosteiro de Vatopedi, no Monte Athos. O ceri- monial da Vigília e da procissão ficou esquecido depois pelc imperador Maurfcio (582-602). Cf, JANIN, ob. Cit., 169.

39. Um dos personagens mais ecléticos da história bizantina. Foi monge, homem de estado, filósofo, polígrafo. Foi, in- dubitavelmente, a figura mais representativa de sua época. Es- creveu um Discurso sobre el permanente milagro que tiene em las Blaquernas, editado por P. BEZOBRAZOV, no Diário do ministério russo de instrução pública 262 (1 889), 72-79. Sobre a fenômeno, cf. LATHOUD, ob. Cit., 307-311; V. GRUMEL, “Le miracle habituel” de Notre-Dame des Blachernes à Constan- tinople, Echos d’ Orient 30 (1931), 129-146; RYDEN, ob. Cit., 69ss.

40. N 2628 do s. XI (?); cf, GHARIB, Le icone mariane. Storia e culto, Roma, 1987, 41-42. O relato encontra-se no Rationale Jivinorum officiorum (1553) de Belerth, cf. LATHOUD, ob cit. 307-308.

41. Terminou o milagre quando os Latinos, conquistada Constan- tinopla, despojaram o santuário e apoderaram-se do vếu que com- tinha a imagem.

42. TMPM, II, Hom. 3,845; sobre o fato bélico, cf. A. A. VASILIEV The Russian Attack on Constantinople, Cambridge (MA) 1946

43. TMPM, II, Hom. 4,846.

44. Cf. também N. H. BAYNES, The supernatural Defenders of Constantinople, Analecta Bollandiana, 67 (1949), 165-177. JANIN (ob. cit., 161-171) faz-nos lembrar de que em 626 quando o ataque dos Á varos, o patriarca Sérgio levou em pro- cissão a relíquia. Em 717 expôs-se a relíquia nos muros contra ○ exército árabe, inclusive contra o ataque de Tomás; em 822 levou-a Teófilo para os arredores das muralhas. Em 860 sãc expulsos os russos, dando lugar às homilias 3 e 4 de Fócio cujos resumos foram dados anteriormente. Poder-se-iam men- cionar outras ocasiões.

45. Cf. LATHOUD, ob. cit. passim; cf. também N. GEBAROWICZ Mater Misericordiae. Pokrov Pokrowa w sztuce i legenz srodkowo-wschodniej Europy (Mater Misericordiae in the art and legend offeast central Europe), Warszawa, 1986

46. Trata-se de hinos do dia dois de iulho. Cf. LATHOUD. Ob. Cit. 303.

47. Cf. LATHOUD, ob. Cit. 303.

48. Vésperas, hino, tom IV.

49. Lucernário, t. 1.

50. Lucernário, t. 4.

51. Lucernário, t. 8.

52. Leituras: Gên 28,10-17; Ez 43,27-44, 4; Prov 9,1-11.

53. Litio.

54. Apóstiches.

55. Cathismos.

56. Ode I.

57. Ode III.

58. Ode IV.

59. Ode V.

60. Ode VI.

61. Kondakion.

62. Ikos.

63. Ode VII.

64. Ode VIII.

65. Ode IX.

66. Exapostilário.

Fonte: O ícone da Proteção da Mãe de Deus – Gaetano Passarelli – Edições Ave Maria – 1997

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