A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Sobre a Obra

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Entrada em Jerusalém – Domingo de Ramos

A Entrada de Jesus Cristo em Jerusalém – Monastério São Andréas – Monte Athos

O Rei que Veio em Silêncio

Jerusalém despertava lentamente naquela manhã. O céu ainda tinha tons dourados quando as primeiras multidões começaram a atravessar os portões da cidade. Comerciantes abriam suas tendas, peregrinos caminhavam pelas ruas estreitas e o enorme Templo já refletia a luz do sol nascente.

Tudo parecia comum.

Mas pelas estradas próximas ao Monte das Oliveiras, uma notícia se espalhava rapidamente:
Jesus estava chegando.

As pessoas abandonavam o que estavam fazendo para vê-Lo passar. Alguns corriam pelas ruas chamando amigos e parentes. Outros levavam crianças nos braços. Muitos ainda comentavam admirados sobre a ressurreição de Lázaro de Betânia.

Havia expectativa em todos os rostos.

Talvez aquele fosse o dia em que tudo mudaria.

Talvez o Messias finalmente assumisse Seu lugar como Rei.

Enquanto isso, Jesus caminhava tranquilamente entre os discípulos. Seu rosto transmitia paz, mas Seus olhos carregavam uma profundidade difícil de compreender. Ele parecia enxergar além da festa, além da multidão, além daquele momento.

Então pediu que dois discípulos buscassem um jumentinho numa aldeia próxima.

Quando trouxeram o pequeno animal, Jesus montou sobre ele com simplicidade. Não havia luxo naquela cena. Nenhuma aparência de grandeza humana. Ainda assim, algo naquele momento parecia maior do que qualquer cerimônia real.

A multidão começou a acompanhá-Lo.

As pessoas espalhavam mantos pelo chão.

Outras agitavam ramos verdes ao vento.

As vozes cresciam em alegria:

— Hosana!

— Bendito o Rei de Israel!

Mas enquanto o povo sonhava com um rei poderoso, Jesus revelava um Reino completamente diferente.

Ele não vinha para dominar.

Vinha para servir.

Não vinha para destruir inimigos.

Vinha para salvar pessoas.

Cada passo daquele jumentinho parecia anunciar silenciosamente uma verdade que poucos compreendiam: a força de Deus não se parecia com a força dos homens.

Os grandes reis da terra chegavam cercados por soldados.

Cristo chegava cercado por gente simples.

Os reis humanos conquistavam pelo medo.

Jesus conquistava pelo amor.

Quando finalmente avistou Jerusalém, Jesus ficou em silêncio por alguns instantes. Seus olhos percorreram as muralhas, as casas, o Templo… e então lágrimas começaram a escorrer por Seu rosto.

Ninguém esperava aquilo.

Como alguém aclamado como Rei podia chorar no momento de sua vitória?

Mas Jesus sabia que o coração humano muitas vezes celebra sem realmente compreender. Sabia que muitos ali queriam apenas milagres, poder e libertação política.

Poucos desejavam verdadeira transformação.

Mesmo assim, Ele continuou entrando na cidade.

Porque o amor de Cristo nunca dependeu da perfeição das pessoas que O recebiam.

E talvez essa seja a reflexão mais profunda daquela entrada triunfal:
Deus continua vindo ao encontro da humanidade, mesmo sabendo de suas fraquezas, dúvidas e infidelidades.

Ele continua entrando silenciosamente nos corações, não pela força mas pela misericórdia.

O caminho para Jerusalém estava cheio naquela manhã.

Peregrinos de várias regiões caminhavam pelas estradas de terra rumo à cidade Santa para celebrar a Páscoa.

O som das conversas, dos animais e das caravanas se misturava ao vento que atravessava as colinas da Judeia.

Jerusalém já podia ser vista ao longe, grandiosa, movimentada, tomada por gente de todos os lugares.

No meio daquela multidão seguia Jesus.

Havia algo diferente no ar.

Seu nome corria entre as pessoas como um sussurro que crescia a cada instante.

Alguns comentavam sobre os milagres que Ele havia realizado.

Outros falavam do dia em que um homem chamado Lázaro de Betânia saiu vivo do túmulo depois de quatro dias morto.

Muitos queriam apenas vê-Lo de perto. Outros acreditavam que finalmente o Messias prometido havia chegado.

Jesus vinha de Betânia acompanhado dos discípulos.

Quando chegaram perto das aldeias de Betfagé e do Monte das Oliveiras, Ele parou por alguns instantes observando Jerusalém diante de Si.

O Templo brilhava sob a luz da manhã, imponente no centro da cidade.

Tudo parecia vivo e festivo, mas havia uma tristeza silenciosa nos olhos de Jesus, como se Ele enxergasse algo que ninguém mais conseguia ver.

Então chamou dois discípulos e disse calmamente que fossem até a aldeia próxima.

Lá encontrariam um jumentinho preso, num lugar simples, perto de uma porta. Disse que o trouxessem.

Caso alguém perguntasse alguma coisa, bastava responder:

— O Senhor precisa dele.

Os discípulos foram e encontraram tudo exatamente como Jesus havia dito.

O animal nunca havia sido montado antes.

Era simples, pequeno, comum aos olhos de qualquer pessoa.

Ainda assim, era naquele humilde jumentinho que Jesus escolheria entrar em Jerusalém.

Quando voltaram, colocaram seus mantos sobre o animal para que Ele montasse. E então começou algo que ninguém ali esqueceria.

À medida que Jesus descia o caminho do Monte das Oliveiras em direção à cidade, as pessoas começaram a reconhecê-Lo.

Primeiro algumas.

Depois dezenas.

Em pouco tempo, uma multidão inteira se formava ao redor Dele.

Alguém começou a cortar ramos das árvores.

Outros espalhavam mantos pelo chão.

Crianças corriam agitadas.

Homens e mulheres se aproximavam tentando vê-Lo passar.

A alegria crescia como uma onda.

E então os gritos começaram.

—Hosana!
—Bendito o que vem em nome do Senhor!
— Hosana ao Filho de Davi!

Os ramos de palmeira balançavam pelo caminho enquanto Jesus avançava lentamente.

Muitos acreditavam que aquele era o início de uma nova era para Israel.

Pensavam que finalmente surgiria um rei poderoso, alguém que derrotaria Roma e devolveria liberdade ao povo.

Mas Jesus vinha diferente de todos os reis que já haviam existido.

Não havia cavalos de guerra.
Não havia soldados.
Não havia armas.

Somente um homem simples, montado em um jumentinho, cercado por pessoas humildes.

Mesmo assim, havia algo nEle maior do que qualquer exército.

Os discípulos observavam tudo emocionados.

Talvez naquele instante acreditassem que finalmente veriam Jesus ser reconhecido diante de toda Jerusalém.

O povo parecia tomado por esperança.

Mas entre a multidão também estavam os fariseus e líderes religiosos.

Eles observavam aquela cena com preocupação crescente.

A aclamação popular estava se tornando intensa demais.

Aqueles gritos tinham significado perigoso.

Alguns deles se aproximaram e disseram:

— Mestre, repreende teus discípulos.

Mas Jesus respondeu com tranquilidade:

— Se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.

E continuou caminhando.

Quando Jerusalém apareceu completamente diante Dele, algo inesperado aconteceu.

Jesus chorou.

Enquanto a multidão festejava, Ele contemplava a cidade com lágrimas nos olhos.

Não eram lágrimas de medo, mas de amor e tristeza.

Jesus sabia o que aconteceria nos dias seguintes.

Sabia que muitos que gritavam “Hosana” logo gritariam “Crucifica-o”.

Sabia da dor. 

Da traição.

Da cruz.

Mesmo assim, continuou avançando.

A cidade inteira entrou em agitação quando Ele atravessou seus portões.

As pessoas perguntavam umas às outras:

— Quem é este?

E ouviam em resposta:

— É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia.

Os sons da multidão ecoavam pelas ruas de pedra.

Os ramos continuavam espalhados pelo caminho.

O povo celebrava o Rei que chegava.

Mas quase ninguém compreendia completamente o que estava acontecendo.

Jesus não entrava em Jerusalém para conquistar um trono terreno.
Entrava para entregar a própria vida.

Seu verdadeiro trono seria a cruz.

Sua coroa seria de espinhos.

E Sua vitória viria através do amor.

Naquele dia, Jerusalém recebeu seu Rei.

Não um rei de guerra.

Não um conquistador armado.

Mas o Salvador que veio em humildade, paz e misericórdia.

A entrada de Jesus em Jerusalém – Gaetano Passareli

Cristo não entrou em Jerusalém em carruagens esplêndidas, como o haviam feito os outros reis de Israel.

Não impôs tributos, não inspirou medo, nem estava cercado por soldados armados de espadas ou lanças.

E, no entanto, ele era a estela que havia de despontar de Jacó e o cetro que havia de alcançar-se em Israel.

Por ele, com efeito, havia Jacó convocado seus filhos e havia profetizado:

Juntai-vos e vos anunciarei o que vos há de acontecer em dias vindouros (…).

A ti, Judá, te louvarão teus irmãos;

Tua mão está na cerviz de teus inimigos;

Inclinem-se diante de ti os filhos do teu pai.

Filhote de leão e Judá;

De caça, filho meu, voltaste;

Recosta-se, deita-se como um leão, ou como uma leoa: Quem te fará levantar?

Não sairá de Judá o cetro, o bastão de comando de entre tuas pernas, até que chegue aquele a quem está reservado e a quem rendam homenagem nas nações, aquele que ata à vinha seu burriquito e à cepa o burrico de sua jumenta;

Que leva em vinho sua veste e no sangue de uvas sua túnica;

O de olhos deslumbrados pelo vinho o dos dentes brancos de leite.

A esse rei manso, montado em um burrico, invoca o Romano, o Melode:

Apieda-te de tuas criaturas por amos às quais te dignaste habitar entre nós!

Salva-nos, Senhor, nós te suplicamos!

Fonte: O ícone da entrada em Jerusalém – Gaetano Passarelli – (Pág 30-31)

Evangelho de Mateus 21,1-11

Evangelho de Marcos 11,1-11

Evangelho de Lucas 19,28-44

Evangelho de João 12,12-19

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