
Batismo no rio Jordão – Basilica Tessalonica
“Chamamos Epifania este dia”, diz São João Crisóstomo, “porque a graça salvífica manifestou-se a todos os homens.
E por que não chamamos de Epifania o dia do nascimento, mas aquele em que Jesus recebeu o Batismo? Simplesmente porque sua manifestação a todos os homens não aconteceu no nascimento, mas no batismo, uma vez que até então não o conheciam”.
A Igreja Bizantina, ainda ao designar esta solenidade, emprega os termos “Epifania” e “Teofania”, que indicam a manifestação da divindade, mas prefere a denominação dada por São Gregório Nazianzeno: “Festa das Luzes”.
A denominação é, ao mesmo tempo, trinitária e cristológica. Vejamos brevemente em que sentido.
Cristo veio para ser a luz do mundo, que ilumina os que andavam nas trevas. Diz, com efeito, Proclo de Constantinopla:
“Cristo aparece no mundo, ilumina-o e o cobre de alegria, santifica as águas e difunde a luz nas almas dos homens. Apareceu o Sol de justiça e dissipou as trevas da ignorância.
O Filho único do Pai manifestou-se e nos dá, mediante o batismo, a qualidade de filhos de Deus”.
Esta frase resume o pensamento dos Padres sobre a miséria do pecador, que consiste essencialmente na ignorância da fé. Cristo abre para sempre “as portas da Luz àqueles, filhos das trevas e da noite, que aspiram a chegar a ser filhos do dia e da luz”.
Nossa profissão de fé, o Creio, contém a fórmula “Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, precisamente porque, no Jordão, manifestou-se a Luz da Santíssima Trindade.
“Enquanto Jesus descia às águas, acendeu-se o fogo no Jordão; e, quando foi batizado, emergiu da água uma grande luz que se espalhou ao redor, de maneira que todos os presentes fossem tomados pelo temor”.
A combinação de luz e fogo, como elementos reveladores da presença divina, encontra-se várias vezes no Novo Testamento. Está efetivamente escrito:
“O Senhor ia diante deles (…) em coluna de fogo para iluminá-los, de modo que pudessem caminhar (…) de noite”.
Iluminava a escuridão e os conduzia ao Mar Vermelho, cuja travessia é uma prefiguração do Batismo.
O batismo é passagem, é iluminação, é nascimento do ser para a luz divina.
Por este motivo, os recém-batizados são chamados de “iluminados” na Igreja Bizantina, porque alcançaram a Luz que os guia e renasceram para a vida.
“Nele estava a Vida”, diz São João Evangelista, “e a Vida era a Luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a compreenderam”.
“Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João; este veio como testemunha, para dar testemunho da Luz, a fim de que por ele todos chegassem à fé. Não era a Luz, mas veio para dar testemunho da Luz”.
“A Luz verdadeira, a que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,10–12).
“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
Portanto, o Ofício é completamente dedicado ao Batismo, e a cerimônia da bênção das águas (mégas haghiásmos), que tem lugar nessa ocasião, remete à santificação do elemento básico da criação, realizada pelo Salvador. A água servirá, posteriormente, para benzer as casas, as fazendas, os sítios, o gado, enfim, toda a criação.
Além disso, dá-se grande importância à função reveladora do Verbo encarnado, e compreende-se a predileção dos bizantinos pelo título de “Festa das Luzes”, não como simples referência terminológica, mas como expressão mais adequada aos motivos teológicos de sua espiritualidade e mentalidade.
A Epifania, diferentemente do Natal, é uma festa de origem oriental. Sua testemunha mais antiga encontra-se em Clemente de Alexandria, pelos anos 150–200.
É sabido que esta era uma festa celebrada pelas seitas gnósticas nos dias 6 ou 10 de janeiro, da qual os ortodoxos não foram grandes seguidores, a ponto de, até a metade do século III, em Alexandria, Orígenes nem sequer a mencionar. Somente no século IV começaram a aparecer testemunhos seguros de sua celebração entre os ortodoxos das diversas Igrejas da Palestina, da Síria e da Ásia Menor.
Parece que, nesse período, deu-se uma mudança na celebração das festas: o Oriente começou a celebrar a Natividade, enquanto o Ocidente festejava a Epifania. No Oriente, a “nova” festa do Natal ligou-se à Epifania em 6 de janeiro.
A Igreja Bizantina, no entanto, adotou de modo definitivo a data de 25 de dezembro para comemorar o Natal e a lembrança dos Magos, deixando que o dia 6 de janeiro voltasse a ser exclusivamente a festa do Batismo de Cristo.
Após estas breves referências sobre a origem e a designação da festa, passamos a considerar sua iconografia.
O ÍCONE
O ícone de que nos servimos para esta explicação é do século XVI e pertence ao mosteiro da ilha Solovetskii (ou Solovki).
A iconografia desta festa foi conservada com notável estabilidade ao longo de vários séculos, realidade pela qual, diferentemente de outras representações, não foi influenciada pelos Apócrifos, nem se prestou a aspectos poéticos ou sentimentais.
De fato, acolhe-se o momento mais importante da narrativa evangélica, à qual se acrescentou, uma vez ou outra, algum detalhe retirado da liturgia da festa. Leiamos, porém, primeiramente o texto evangélico:
“Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se:
— Eu devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?
Mas Jesus lhe respondeu:
— Deixa por ora, pois convém cumprirmos toda a justiça.
Então João cedeu.
Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água.
Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito Santo de Deus.
E do céu baixou uma voz:
— Eis meu Filho muito amado, em quem ponho minha afeição.”
O ícone traduz, em figuras coloridas, esse maravilhoso fragmento da História da Salvação: Cristo é batizado por seu Precursor.
É Deus que se submete à criatura.
Antes de examinarmos, no entanto, mais detalhadamente o tesouro espiritual que o ícone nos transmite em cada um de seus detalhes, convém fazermos uma descrição do conjunto.
Na parte central do ícone está Cristo, totalmente submerso nas águas do Jordão; à sua direita, João Batista realiza, com a mão, o ato do batismo, enquanto do céu — a auréola no centro superior — sai um raio que desce até Jesus, traduzindo, em figura pintada, a afeição do Pai.
O raio contém, em um escudo, a pomba, símbolo do Espírito Santo, após o qual se divide em três:
“O Espírito Santo, que procede do Pai e que, com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado.”
Em algumas representações, dentro do rio, existem uma ou duas figuras antropomórficas. Uma figura masculina, voltada para o lado oposto a Cristo, segura um recipiente com o qual parece misturar a água.
Trata-se da tradução figurativa do versículo da Escritura: “À vista disso, o Jordão voltou atrás”.
Frequentemente, essa figura segura um recipiente nas mãos porque as águas, diante da imensidão do mar, são como que contidas em uma pequena vasilha.
Canta-se na Igreja Bizantina:
“Por que deténs tuas águas, ó Jordão?
Por que fazes retroceder tua corrente
e não deixas que seu curso natural prossiga?
Não posso suportar — responde —
o fogo que devora.
Retiro-me e sinto pavor
diante da extrema condescendência,
porque não costumo lavar a quem é puro,
não aprendi a limpar a quem não tem pecado,
senão a purificar vasos sujos.
O Cristo que se batizou em mim
ensina-me a queimar os espinhos do pecado.”
Em outros ícones do Batismo de Cristo aparece uma segunda figura, feminina, com cetro e coroa, sentada sobre um animal marinho que parece mover-se para a direita.
É a representação antropomórfica do mar que “o viu e recuou”. Dá-se-lhe aspecto feminino porque, em grego, o termo mar (thalassa) é feminino.
Uma vez que essas variantes não possuem importância essencial, na maioria das representações elas são omitidas, como ocorre em nosso ícone.
No lado direito do ícone, vemos três anjos com as mãos cobertas, em atitude de oração. São as naturezas angélicas que se prostram diante da Sabedoria de Deus encarnada.
A representação da natureza que serve de cenário é árida, salpicada aqui e ali por algum matagal:
“O deserto e a terra se regozijarão,
a estepe se alegrará e florirá.
(…) Será vista a glória do Senhor
e a magnificência de nosso Deus.”
No lado inferior esquerdo, junto ao Batista, aparece um arbusto que, em alguns ícones, traz um machado apoiado sobre o tronco. Tal detalhe modifica o significado simbólico desse elemento.
Quando o machado está presente, o arbusto simboliza o terrível aviso do Batista:
“O machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.”
Disse Orígenes:
“Creio que a presente profecia anuncia ao povo de Israel que logo será assolado. De fato, a todos quantos saíam para se fazerem batizar, João dizia, entre outras coisas:
‘Produzi frutos dignos de penitência’ e, dirigindo-se a eles como judeus, acrescentava: ‘Não comeceis a dizer: temos Abraão por pai, pois vos digo que Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão’.”
Provavelmente, em nosso ícone, preferiu-se omitir o machado para que o arbusto assumisse outro significado: o aparecimento de nova vida, o rebento de Jessé.
Está, com efeito, escrito:
“Um renovo sairá do tronco de Jessé,
e um rebento brotará de suas raízes.
Sobre ele repousará o Espírito do Senhor. (…)
Naquele dia, o rebento de Jessé
será procurado pelas nações,
e gloriosa será a sua morada” (Is 11,1–2.10).
No Evangelho, lemos que essa passagem se refere a Cristo:
“Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías. Desenrolando-o, encontrou a passagem onde estava escrito:
‘O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me ungiu
para anunciar a Boa-Nova aos pobres.
Enviou-me para proclamar a libertação aos cativos
e a recuperação da vista aos cegos,
para libertar os oprimidos,
e proclamar um ano de graça do Senhor’.
Enrolou o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se.
Toda a sinagoga tinha os olhos fixos nele.
Então começou a dizer-lhes:
‘Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura’.”
O arbusto, portanto, além de representar Cristo como sinal de paz, pode assumir outros significados, aos quais nos referiremos ao longo da exposição.
Após descrevermos, em grandes linhas, os elementos que compõem esta bela representação, é oportuno tentar acolher, como entrelinhas, a riqueza espiritual que ela deseja transmitir àqueles que a contemplam “com fé, devoção e temor de Deus”
CRISTO
O centro do ícone é Cristo, “a quem se deve toda honra e glória pelos séculos dos séculos”. Ele está completamente “sepultado” nas águas do rio; porém, não parece molhar-se. Antes, parece caminhar sobre elas.
Toda a cena invertida sugere um parto, um novo nascimento:
“Havia um homem do partido dos fariseus, chamado Nicodemos, chefe dos judeus. Foi procurar Jesus e disse-lhe:
— Rabi, sabemos que vieste da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar os sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele.
Jesus respondeu-lhe:
— Em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.
Nicodemos replicou:
— Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, acaso, entrar novamente no ventre de sua mãe e nascer?”
Cristo representa o homem novo, o homem que nasceu de Deus, o novo Adão.
O Senhor havia criado as águas e a terra, os animais e os peixes e, finalmente, “modelou o homem da argila da terra, soprou em seu nariz o sopro da vida, e o homem tornou-se um ser vivo”.
Cristo parece emergir dos próprios elementos criados.
Mas por que a identificação com Adão? Porque Adão foi criado “à imagem e semelhança”, para dominar os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e os répteis.
O Senhor, para redimir o gênero humano, escolheu tornar-se filho de Adão, Filho do Homem. Tomou voluntariamente a natureza humana para renová-la, para devolvê-la à criação do princípio. Cristo assume, pois, a mesma imagem para transformá-la, renová-la e recriar tudo quanto estava destruído.
Sob esta perspectiva, o arbusto que está à sua direita assume o significado da árvore da vida. Eis a razão desse significado:
“Quando o Senhor Deus fez o céu e a terra, ainda não havia arbustos na terra nem brotava erva no campo, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem que cultivasse o solo. Subia da terra um vapor que regava toda a superfície do solo.
Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o sopro da vida.
O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e ali colocou o homem que havia formado.
E fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para alimento, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.”
A capacidade de escolher estava, pois, diante da humanidade perfeita. Também Cristo, como o primeiro homem, se encontra diante da escolha. Lemos nos Evangelhos:
“Conforme o seu costume, Jesus saiu e foi para o monte das Oliveiras. Depois afastou-se deles à distância de um tiro de pedra, ajoelhou-se e orava:
— Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.
Apareceu-lhe, então, um anjo do céu para confortá-lo. E, entrando em agonia, orava com mais insistência.”
Eis, pois, Cristo revestido da nudez adâmica para devolver à humanidade a veste paradisíaca. Para manifestar sua iniciativa e a vontade do Pai, é representado no ato de caminhar: vai livremente ao encontro de João.
A humanidade de Cristo passa por sua livre escolha. Jesus consagra-se conscientemente à missão terrena, submete-se inteiramente à vontade do Pai, e o Pai responde-lhe enviando sobre ele o Espírito Santo.
É importante observar o gesto da mão direita de Cristo: é um gesto de bênção, o mesmo da criação e da santificação das águas.
Em muitas representações da Criação, Deus é figurado sob os traços do Filho amado, Jesus Cristo, a única Pessoa da Santíssima Trindade que assumiu a natureza humana e, portanto, a única representável.
Esse gesto revela o ato criador e resume, em si, o amor do Criador e do Redentor.
Para evidenciar que Cristo é uma Pessoa da Santíssima Trindade e, portanto, Deus, coloca-se a auréola que circunda sua cabeça: um nimbo crucífero, que o distingue do dos outros santos. Nele estão inscritas as letras “Ho On”, isto é, “Aquele que é”.
Canta a Igreja Bizantina:
“Trindade, Deus nosso,
hoje apareces indivisível.
O Pai dá testemunho do Filho,
o Espírito desce do céu em forma de pomba,
o Filho inclina a cabeça imaculada
diante do Precursor
e, ao ser batizado,
resgata a humanidade
da escravidão, como amigo dos homens.”
Cristo caminha sobre chacais e víboras, pisa leões e dragões, do mesmo modo que, no ícone da Ressurreição, esmaga sob os pés o Hades e os infernos.
O ícone mostra Jesus Cristo submerso completamente nas águas, como se estivesse em um sepulcro.
Elas formam uma espécie de caverna obscura e, como no ícone da descida aos infernos, representam o abismo. Cristo desceu ali para recuperar sua imagem dentre os mortos.
O batismo por imersão, praticado na Igreja Bizantina, reproduz em cada fiel a morte e a ressurreição de Cristo. Diz São João Crisóstomo:
“A imersão e a emersão são imagens da descida aos infernos e da ressurreição.”
A descida às águas do Jordão é, portanto, prefiguração da descida aos infernos.
Canta-se:
“Prepara-te, ó rio Jordão,
eis que vem Cristo Deus para ser batizado por João,
para esmagar, com sua divindade,
as cabeças invisíveis dos dragões em tuas águas.
Alegra-te, deserto do Jordão;
exultai de alegria, ó montes,
pois a Vida eterna vai chamar Adão.”
As águas do Jordão, em torno do corpo de Cristo, transformam-se em milhares de raios de luz:
“O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz;
aos que habitavam na terra da sombra da morte,
uma luz brilhou.”
JOÃO
O profeta havia dito:
“Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a quem prescrevi ordenações e mandamentos para todo o Israel no monte Horeb. Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha ferir a terra com o interdito.”
E aconteceu que:
“Naqueles dias apareceu João Batista no deserto da Judeia. João usava uma veste de pelos de camelo e um cinto de couro em torno dos rins; alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão iam até ele, confessavam seus pecados e eram batizadas por ele nas águas do Jordão.”
E respondeu-lhes Jesus:
“Por que dizem os escribas que Elias deve voltar primeiro?
Elias, de fato, já veio, mas não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo o que quiseram. Do mesmo modo farão sofrer o Filho do Homem.”
“Então os discípulos compreenderam que ele lhes falava de João Batista.”
Temos, pois, uma identificação clara de João com Elias, de quem falava Malaquias. Contudo, Cristo não se limitou a essa alusão para dar a entender quem fora João; mais ainda, destacou sua grandeza:
“Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
Que fostes ver, então? Um homem vestido de roupas luxuosas?
Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis.
Então, que fostes ver? Um profeta?
Sim, eu vos digo, e mais que um profeta.
É dele que está escrito:
‘Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para preparar o teu caminho.’
Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista.”
Os bizantinos cantam:
“A voz daquele que clama no deserto…
Respondeste, ó Senhor,
assumindo a condição de servo
para pedir o batismo,
tu que nunca conheceste o pecado.
Viram-te as águas e estremeceram,
e o Precursor, tomado de temor, disse:
‘Como pode uma centelha iluminar a Luz?
Como pode um servo impor a mão sobre o seu Senhor?
Não me atrevo a tocar, ó Verbo, a tua cabeça.
Santifica-me e ilumina-me, ó Misericordioso,
porque tu és a vida,
a luz e a paz do mundo.’”
No ícone, a mão esquerda do Batista, erguida para o céu, representa sua intenção de evitar esse encargo tremendo. Mas Jesus lhe responde:
“Deixa por ora, pois convém que cumpramos toda a justiça.”
João está vestido de peles e envolto em um pano. Ele representa o homem velho, Adão, que Cristo veio regenerar:
“O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher vestes de peles e os vestiu.”
Importa que ele cresça e que eu diminua. O homem velho, vestido de peles, símbolo do pecado, deve ser despojado para que surja o novo Adão, o homem-Deus.
Pode acontecer que o homem, por ignorância, confunda as identidades:
“Quem dizem os homens que eu sou?
Eles responderam: Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros, que algum dos antigos profetas ressuscitou.
Perguntou-lhes então: E vós, quem dizeis que eu sou?
Pedro respondeu: O Filho de Deus vivo.”
O Verbo vem à terra para os homens, e estamos diante do mais desconcertante encontro entre Deus e a humanidade. Misticamente, em João Batista, toda a humanidade se reconhece testemunha no Filho. João está investido do mistério do testemunho: ele testemunha a submissão de Cristo. Toda a humanidade é, nele, testemunha do inestimável ato do amor divino.
“Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.”
Na liturgia, João é definido como pregador, anjo e até apóstolo. Ele dá testemunho, e seu testemunho suscita as primeiras vocações:
“No dia seguinte, João estava novamente ali com dois de seus discípulos. Ao ver Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.”
Segundo o Apócrifo de Nicodemos, João desceu aos infernos como precursor da Boa-Nova e para dar testemunho:
“Veio alguém que parecia um eremita, e todos lhe perguntaram: Quem és tu?
Respondendo, disse: Sou João, voz e profeta do Altíssimo, precursor de sua vinda, para preparar-lhe o caminho e dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos pecados.
Eu o batizei no Jordão e vi o Espírito Santo descer sobre ele em forma de pomba, e ouvi uma voz do céu: Este é o meu Filho amado, em quem pus minha complacência.
Então corri diante dele para anunciar-vos que sua visita é iminente.”
“Todos os profetas e a Lei profetizaram até João.” Ele é o maior dos profetas porque é o amigo do Esposo: nada diz de si mesmo, mas fala em nome daquele que veio.
OS ANJOS E A NATUREZA
“Sendo Cristo Jesus de condição divina,
não se prevaleceu de sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-se a si mesmo,
assumindo a condição de servo
e tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo exteriormente reconhecido como homem,
humilhou-se ainda mais,
tornando-se obediente até a morte,
e morte de cruz.
Por isso Deus o exaltou soberanamente
e lhe concedeu o Nome
que está acima de todo nome,
para que ao nome de Jesus
se dobre todo joelho
— no céu, na terra e nos infernos —
e toda língua proclame,
para a glória de Deus Pai,
que Jesus Cristo é Senhor.”
Os três anjos, à direita do ícone, representam as naturezas angélicas que se prostram em adoração diante do Homem-Deus. As mãos cobertas e o corpo inclinado indicam sua missão de reverência e serviço.
São três anjos como os que apareceram a Abraão junto à azinheira de Mambré e, como aqueles, são prefiguração da Santíssima Trindade.
Que o iconógrafo tenha pretendido referir-se à simbologia trinitária deduz-se claramente do arbusto que aparece atrás deles.
Trata-se de um detalhe que confirma a evocação do ícone da Trindade na visão do iconógrafo Andrei Rublev, tão expressiva do ponto de vista teológico.
Naquela ocasião, foi predito o nascimento de Isaac, o filho único. Em nosso ícone, os anjos encontram-se diante da humanização do Filho Unigênito.
Entre os três, parece destacar-se Cristo, que vai voluntariamente ao encontro de João, o qual, por sua vez, representa o homem, a humanidade, o novo Adão.
Temos, em outras palavras, uma insistência no conceito que preside toda a representação: o amor de Deus pelos homens, a divina filantropia; a divindade que se dirige ao homem, à qual deve corresponder a disponibilidade humana. Aqui, o homem está encarnado em João Batista, que avança em sentido contrário ao das demais figuras, indo ao encontro de Cristo, demonstrando sua submissão à vontade divina.
Além disso, o ícone parece trabalhar com uma contínua alternância de números simbólicos. Temos os três anjos; depois, Cristo e João unidos pelo gesto do Precursor. Mais uma vez, exaltam-se os mistérios da Trindade e das duas naturezas de Cristo: a humana e a divina.
O mesmo conceito se repete na representação das montanhas. No lado direito, onde se encontram os três anjos, destacam-se três cumes.
O cume das duas montanhas internas inclina-se para a direita.
O mistério da Trindade e a relação entre as Pessoas divinas encontram aqui uma expressão figurativa.
Da montanha de três cumes parte Cristo para dirigir-se à montanha oposta, que apresenta dois cumes.
“Pois o consagrante e os consagrados são todos da mesma estirpe.
Por esta razão, ele não se envergonha de chamá-los irmãos.
Por isso, como os filhos têm em comum a carne e o sangue, também ele participou da mesma condição, a fim de, por sua morte, reduzir à impotência aquele que tinha o domínio da morte e libertar todos os que, pelo temor da morte, passaram a vida inteira como escravos.
Com efeito, não é aos anjos que ele vem socorrer, mas aos descendentes de Abraão.”
Ele, de fato, assumindo a natureza humana, tornou-nos coerdeiros e participantes de sua glória.
O ícone, no conjunto, apresenta-se como dividido em duas partes, separadas por um abismo profundo.
O lado direito é árido e seco, realizado cromaticamente em ocre amarelado; o lado esquerdo, ao contrário, é verde.
Essa cor é considerada símbolo da vitalidade regeneradora, da imortalidade, da graça e do Espírito.
A fenda está coberta de águas escuras: nem os anjos nem os homens são capazes de atravessá-la.
Ela representa o abismo existente entre o homem e a natureza espiritual. Essa separação parecia definitiva e intransponível.
Era necessário que alguém desfizesse essa ruptura, e isso só poderia ser realizado por Deus.
Eis Cristo, que transforma as trevas em luz, cobre de verdor o que era árido, vence o abismo profundo e estabelece a ponte de união entre a natureza humana e a divindade. Isso foi possível porque ele é o Homem-Deus (Theanthropos).
O Infinito fez-se homem. O círculo repleto de estrelas, colocado na parte superior do ícone, representa o céu, a morada do Eterno.
A divindade desce até as regiões mais profundas: o raio desce, toma a forma de pomba e repousa sobre Cristo, revestido da única vestidura capaz de purificar a mancha do pecado.
O círculo, símbolo da perfeição, é azul, indicando a divindade, a imaterialidade e a pureza, assim como as águas que envolvem Cristo. Essas águas, santificadas pelo contato com ele, renovam toda a criação.
O círculo, símbolo do perfeito, torna-se linha; a unidade da divindade manifesta-se em três Pessoas.
“Os olhos dos mortais receberam a capacidade de contemplar a figura celeste; as pálpebras das criaturas, impregnadas de lama, puderam perceber o raio sem sombra da luz imortal, que nem profetas nem reis viram, embora desejassem vê-lo.”
O Unigênito, que está no seio do Pai, encontra-se à direita do Altíssimo.
Ele saiu do seio do Pai para assumir nossa natureza e conduzi-la novamente ao seio divino. Por isso, diz Gregório de Nissa: a natureza divina não mudou, mas a nossa, humana e passível, tornou-se incorruptível ao contato com o Ser imutável. Eis a razão pela qual metade do ícone é verde.
CONCLUSÃO
A conexão íntima de nosso ícone com o da Descida aos Infernos, à qual nos referimos em várias ocasiões, serve para recordar que a iconografia não pretende transmitir outra coisa senão o ardente desejo de Deus de restaurar a sua imagem, buscar a ovelha desgarrada e recompor a sua semelhança. Tudo isso foi realizado por Cristo.
Nossa fé tem o seu fundamento nele e, sobretudo, em sua morte e ressurreição. Com esses acontecimentos, a história da salvação alcançou a sua plenitude.
O episódio, portanto, ultrapassa o espaço e o tempo: é algo eterno, porque é o amor de Deus para com os homens, porque o Senhor está sempre conosco, porque Ele é a nossa Luz.
“Caio de joelhos diante de ti, Senhor,
como o fez a hemorroíssa,
tocando eu também a franja de teu manto,
dizendo:
‘Basta tocá-lo e serei curado.’
Faze com que minha fé não seja fé vazia,
tu que és o médico das almas.”
ORAÇÕES PARA A BÊNÇÃO DAS ÁGUAS NA SOLENIDADE DA TEOFANIA DO SENHOR
À tarde da véspera da Teofania, ao final da Vigília que compreende a celebração das Vésperas e da Liturgia segundo o formulário atribuído a Basílio de Cesareia, realiza-se o rito da bênção — ou, mais propriamente, da consagração (haghiásmos) — das águas. Esse rito será repetido no dia seguinte, ao final da Liturgia Eucarística.
O rito, que sempre acompanha uma grande solenidade, imita em sua redação atual — única restante de uma grande variedade de formas celebrativas do passado — a estrutura da Eucaristia.
Ele compreende uma procissão com cânticos de composição poética até o local onde se desenvolve a bênção (rio, lago, cisterna ou fonte pública). Em seguida, proclamam-se três leituras do Antigo Testamento e duas do Novo.
O diácono propõe então uma série de intenções litânicas (synapté), enquanto o celebrante recita em voz baixa uma oração preparatória, que introduz a grande prece solene de consagração das águas.
O texto dessa oração, quase idêntico ao da consagração da água batismal, apresenta a forma literária de uma anáfora, isto é, de uma prece eucarística.
Ao final do rito, o celebrante submerge a cruz na água por três vezes — literalmente, “batiza-a” — enquanto se entoa o hino ou tropário do dia. Todos os presentes bebem dessa água, que será posteriormente utilizada para a bênção das casas, iniciada no mesmo dia da festa.
I. Oremos, em paz, ao Senhor
D. Oremos, em paz, ao Senhor.
A. Senhor, tem piedade (ou Kyrie eléison).
Pela paz que é um dom do alto e pela salvação de nossas almas, roguemos ao Senhor.
Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade das santas Igrejas de Deus e pela união de todos, roguemos ao Senhor.
Por esta casa santa e por aqueles que nela entram com fé, respeito e temor de Deus, roguemos ao Senhor.
Pelo nosso Arcebispo (ou Bispo) N., pelo venerável colégio dos presbíteros, pelos diáconos que servem a Cristo, por todo o clero e por todo o povo, roguemos ao Senhor.
Por nossos governantes, roguemos ao Senhor.
Por esta cidade (ou este povo), por todas as cidades e nações, e pelos fiéis que nelas habitam, roguemos ao Senhor.
Pela serenidade das estações, pela abundância dos frutos da terra e para alcançar uma paz duradoura, roguemos ao Senhor.
Pelos que viajam por terra, mar e ar, pelos enfermos, oprimidos e prisioneiros, e por sua salvação, roguemos ao Senhor.
Para que estas águas sejam consagradas pelo poder, pela ação e pela presença do Espírito Santo, roguemos ao Senhor.
Para que desça do alto sobre estas águas a graça da redenção e a bênção do Jordão, roguemos ao Senhor.
Para que estas águas sejam dom santificador, remissão dos pecados e cura da alma e do corpo, roguemos ao Senhor.
Para que estas águas alcancem a vida inteira, roguemos ao Senhor.
Para que possam afastar todo projeto maligno dos inimigos visíveis e invisíveis, roguemos ao Senhor.
Para que a presença do Espírito nos conceda a luz do conhecimento e da piedade, roguemos ao Senhor.
Para os que tomam desta água para a bênção de suas casas, roguemos ao Senhor.
Para que alcancem a purificação da alma e do corpo todos quantos dela beberem com fé, roguemos ao Senhor.
Para que, bebendo desta água, nos tornemos dignos da santificação plena que provém da manifestação invisível do Espírito Santo, roguemos ao Senhor.
Para que o Senhor ouça as súplicas de nós, pecadores, e tenha piedade, roguemos ao Senhor.
Para que sejamos libertados de toda aflição, violência, perigo e indigência, roguemos ao Senhor.
Ó Deus, socorre-nos, salva-nos, tem piedade de nós e protege-nos com tua graça.
D. Em memória da santíssima, puríssima, mais que bendita e gloriosa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e de todos os santos, confiemos a nós mesmos, uns aos outros e toda a nossa vida a Cristo.
A. A ti, ó Senhor.
II. Senhor Jesus Cristo
S. Senhor Jesus Cristo,
Filho unigênito que estás no seio do Pai,
Deus verdadeiro, fonte de vida e de imortalidade,
Luz da Luz, que vieste ao mundo para iluminá-lo,
ilumina a nossa mente com o teu Espírito Santo
e acolhe-nos, a nós que celebramos a tua grandeza
e te damos graças
pelas maravilhas estupendas
que realizaste desde o princípio do mundo
e pelo projeto de salvação
que levaste a cumprimento nos últimos tempos.
Tu, que és o Soberano do universo,
revestiste-te de nossa fraca
e pobre fragilidade,
adaptando-te à condição de servo,
e te dignaste receber o batismo no Jordão
pelas mãos de um servo.
Ao santificar a natureza das águas,
tu que não conheceste o pecado,
abriste-nos o caminho
que conduz ao novo nascimento
pela Água e pelo Espírito,
restituindo-nos a liberdade perdida.
Celebrando a memória deste mistério divino,
rogamos-te, Senhor cheio de amor pelos homens:
infunde sobre nós,
teus indignos servos,
segundo a tua promessa,
a água que purifica,
dom da tua misericórdia.
Faze com que as preces
que nós, pecadores,
elevamos sobre esta água
sejam agradáveis à tua bondade.
Concede-nos,
a nós e a todo o teu povo fiel,
a graça da tua bênção,
para a glória do teu santo
e adorável Nome.
A ti sejam dadas
toda honra, glória e adoração,
com teu eterno Pai
e teu santíssimo Espírito,
bom e vivificante,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
A. Amém.
III. Tu és grande, Senhor
S. Tu és grande, Senhor,
admiráveis são tuas obras,
e jamais encontraremos palavras adequadas
para celebrar com cânticos tuas maravilhas.
Tu chamaste todas as coisas do não-ser à existência.
Com tua palavra susténs toda a criação
e, com tua providência, governas o mundo.
Dotaste a criação de quatro elementos
e coroaste o ciclo do ano com quatro estações.
Todas as potências espirituais te temem:
o sol te canta,
a lua te glorifica,
as estrelas dialogam contigo,
a luz te obedece.
Diante de ti, os oceanos rugem,
as fontes estão a teu serviço.
Estendeste o céu como uma tenda de pele,
firmaste a terra sobre as águas,
circundaste o mar com areia
e difundiste o ar para que respiremos.
As potências angélicas oferecem-te culto:
diante de ti se prostram os coros dos arcanjos;
circundam-te em voo harmonioso
os querubins de inumeráveis olhos
e os serafins de seis asas,
que cobrem o rosto
por temor da tua glória impenetrável.
Tu, Deus eterno, sem princípio e inefável,
vieste à terra,
assumindo a forma de servo
e tornando-te semelhante aos homens.
Em tua misericórdia infinita,
não suportaste ver a humanidade
submetida à tirania do diabo;
vieste habitar conosco
e nos salvaste.
Celebramos com gratidão a tua graça,
proclamamos a tua misericórdia
e não ocultamos os teus benefícios.
Concedeste liberdade ao gênero humano,
santificaste o seio da Virgem com teu nascimento.
Quando apareceste,
toda a criação te cantou hinos,
pois tu, ó nosso Deus,
te manifestaste na terra
e viveste entre os homens.
Consagraste as correntes do Jordão,
enviando do céu o teu Espírito Santo
e esmagando as cabeças dos dragões
que nelas se escondiam.
Tu mesmo, Rei amigo dos homens,
faze-te presente também agora
pela vinda do teu Espírito Santo.
Consagra esta água
e derrama nela a graça da redenção,
a bênção do Jordão:
manancial de imortalidade,
dom santificador,
banho de remissão dos pecados,
remédio contra as doenças,
ruína dos demônios,
inacessível aos poderes inimigos,
plena da força angélica.
Concede que todos os que dela tomarem
e dela beberem
experimentem sua eficácia
para a purificação do corpo e da alma,
para a cura das paixões,
para a santificação das moradas
e para toda necessidade.
És tu, ó nosso Deus,
que por meio da água e do Espírito
renovaste completamente
nossa natureza envelhecida pelo pecado.
És tu que, no tempo de Noé,
fizeste as águas engolirem o pecado.
És tu que, através do mar,
libertaste o povo hebreu da escravidão do Faraó,
guiado por Moisés.
És tu que fizeste brotar água da rocha no deserto
para saciar a sede do teu povo.
És tu que, pelo prodígio da água e do fogo,
por meio de Elias,
afastaste Israel do erro de Baal.
Consagra também agora esta água, Senhor,
por teu Espírito Santo.
Concede a todos os que dela forem aspergidos
ou dela beberem
a santificação, a bênção,
a purificação e a saúde.
Assim, com todas as criaturas —
anjos e homens,
realidades visíveis e invisíveis —
seja celebrada a glória do teu santíssimo Nome,
com o Pai e o Espírito Santo,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
A. Amém.
IV. Inclina teu ouvido, Senhor
S. A paz esteja com todos vós.
A. E com o teu espírito.
D. Inclinemos a cabeça diante do Senhor.
A. A ti, ó Senhor.
S. Inclina teu ouvido, Senhor, e escuta-nos,
tu que te dignaste ser batizado no Jordão
e consagrar suas águas.
Abençoa-nos,
pois nos inclinamos diante de ti,
reconhecendo nossa condição de servos.
Torna-nos dignos,
mediante a água da qual participamos
e com a qual somos aspergidos,
de sermos cheios de tua santificação.
Concede-nos alcançar
a salvação da alma
e a saúde do corpo.
Pois tu és a nossa santificação,
e a ti damos glória,
com teu Pai eterno
e teu Espírito santíssimo,
bom e vivificante,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
A. Amém.
V. Em teu batismo no Jordão
A. Em teu batismo no Jordão, Senhor,
manifestaste a adorável Trindade:
a voz do Pai deu testemunho de ti,
chamando-te seu Filho amado,
e o Espírito, em forma de pomba,
confirmou a palavra da verdade.
Ó Cristo Deus,
tu que te manifestaste iluminando o mundo,
a ti seja a glória!
Fonte: O ícone da Teofania – Gaetano Passarelli – Edições Ave Maria – 1997
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