
A VIRGEM OLYMPIOTISSA – A MÃE QUE VEIO DA MONTANHA SANTA – Gravura em cobre, Viena, 1752, por Thomas Mesmer, segundo desenho de Hristofor Zefar)

VIRGEM OLYMPIOTISSA – A MÃE QUE VEIO DA MONTANHA SANTA – Gravura de Hristofor Zefar – detalhe da Virgem)
A Virgem Maria é onipresente? E os anjos? E os santos?
“Tu és o monte santo de onde brota a bênção do Altíssimo, Mãe do Verbo eterno, morada do Inacessível.”
(Hino bizantino à Theotokos)
No coração do século XVIII, em uma oficina de Viena, o buril de um artista e o fervor de um monge se uniram para dar forma a uma das mais belas expressões da piedade bizantina gravura da Virgem Olympiotissa.
A inscrição no cobre testemunha a devoção e a gratidão: “Gravada com o auxílio do hieromonge Mitrophanis e às custas do piedoso kyr Ioannis Zdravkos, da cidade de Kozeni, dedicada ao Mosteiro da Olympiotissa de Elasson, em memória de seus pais e em honra de seus concidadãos, no mês de agosto de 1752.”
Assim nasceu uma imagem que é, ao mesmo tempo, memória, prece e oferenda.
O Ícone que Desceu do Monte, “Olympiotissa” tem origem sagrada.
Conta-se que, quando um antigo mosteiro nas encostas do Monte Olimpo a montanha que os antigos chamavam “morada dos deuses” foi dissolvido, um ícone da Mãe de Deus foi levado para o vale de Elasson, onde o imperador Andronikos II Paleólogo, no século XIV, mandou erguer um novo mosteiro.
A imagem passou então a ser venerada como “a Senhora que desceu da montanha santa”, símbolo da encarnação do Verbo o Céu que desce à Terra, o divino que se faz próximo.
O ícone original era pequeno apenas 11 por 7 centímetros, mas seu poder espiritual era imenso.
A Virgem era representada em oração, com as mãos cruzadas sobre o peito, gesto de entrega total a Deus.
No entanto, na gravura de 1752, a Mãe de Deus é mostrada como “Hodigítria”, isto é, “Aquela que mostra o Caminho” o Cristo em seus braços.
Ela está sentada num trono, cercada por colunas, coroada por dois anjos, e o Menino repousa em seu colo como o Sol que nasce do alto.
Cada detalhe é uma catequese em forma de arte:
o trono é sinal de sua realeza;
as colunas lembram o templo do Espírito;
o manto azul e vermelho fala da união entre o humano e o divino;
o Menino, centro da composição, é a própria Luz que ela conduz ao mundo.
Uma Gravura de Oração
O artista Thomas Mesmer, ainda que estrangeiro ao mundo monástico, traduziu com precisão a teologia do ícone bizantino.
Cada linha do cobre gravado parece brotar da liturgia: as sombras são cânticos, as, luzes são bênçãos.
E o monge Hristofor Zefar, que desenhou a composição, compreendia bem o que fazia para ele, o ícone não era apenas uma imagem, mas uma epifania, um modo visível de revelar o invisível.
A Theotokos Olympiotissa é apresentada sentada, não como uma rainha distante, mas como a Mãe intercessora, repousando com majestade e ternura.
Seu olhar não se dirige ao Menino, mas a quem contempla o ícone, convidando à oração e à confiança.
Ela parece dizer:
“Não temas;
O Deus que carrego é também teu refúgio.
Olha para Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.”
Memória, Intercessão e Esperança
A inscrição do devoto Zdravkos, oferecendo o ícone em memória de seus pais ecoa a tradição monástica de oferecer à Mãe de Deus não apenas o ouro ou a prata, mas a lembrança dos que amamos.
Na espiritualidade bizantina, cada ícone é um sacramento da presença: ele une o visível e o eterno, o presente e o passado, a terra e o céu.
Assim também a Virgem Olympiotissa é ponte entre gerações, guardiã das famílias e consoladora dos que choram.
A cada século, os monges de Elasson entoam diante dela o mesmo hino:
“Alegra-te, ó Mãe da Luz,
trono do Rei da glória,
que vieste do Monte Santo
para abençoar os que habitam o vale.”
A Mãe que Mostra o Caminho
A Olympiotissa é, enfim, o ícone do discipulado.
Como “Hodigítria”, ela não atrai os olhares para si, mas os conduz ao Filho.
O Cristo em seu colo aponta o caminho da salvação, e o olhar da Mãe acompanha o fiel em sua peregrinação interior.
O ícone é um convite à confiança:
Quando a fé vacila, ela ergue o olhar;
quando a dor pesa, ela abre o coração;
quando a noite é escura, ela mostra o Caminho o Cristo Ressuscitado.
Gravada em Viena, mas nascida da fé de um povo e da piedade de um monge, a Virgem Olympiotissa é uma lembrança de que a verdadeira arte sacra é oração que se faz forma.
Ela une o Oriente e o Ocidente, a história e a liturgia, a dor e a glória.
E continua a repetir, silenciosamente, as palavras do Magnificat:
“O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome.”
Assim, o ícone da Olympiotissa permanece a Mãe que desce do monte para elevar o coração dos homens.
Fonte: PAPER ICONS: Greek Orthodox Religious Engravings, 1665-1899 Hardcov
THE VIRGIN OLYMPIOTISSA
Copper engraving. 0.66 × 0.518 m.
1752, August. Vienna.
Drawn by: Hristofor Zefar.
Engraved by: Thomas Mesmer.
National Museum, Belgrade (cat. no. 144).
Inscribed just below the figure of the Virgin:
“This miraculous icon was precisely engraved with the assistance of the hieromonk Mitrophanis and at the expense of the most worthy kyr Ioannis Zdravkos, from the town of Kozeni.
It was dedicated by him to the Monastery of the Olympiotissa of Elasson, in memory of his parents and in honor of his fellow citizens.
1752, in the month of August / devised by the hierodeacon Hristofor Zefar; engraved by Thomas Mesmer.”
Situated a short distance from Elasson, the Monastery of the Olympiotissa was founded in the early 14th century by Emperor Andronikos II Palaiologos.
The name originated from an icon of the Virgin taken from Karya on Mount Olympos when, for reasons unknown, the monastery to which it belonged was dissolved, and its property and treasures were transferred to the monastery at Elasson.
The icon itself is a small one (0.11 × 0.07 m); it portrays the full-length figure of the Theotokos in an attitude of prayer, her hands crossed over her breast.
However, the engraving depicts her as Vrephokratousa and of the Hodegetria type.
She is shown at the center of the engraving, seated indoors on a throne with a semicircular back.
Her feet rest on a low dais above a tiled floor; a pair of columns flank the back of the throne; two small angels support her crown.
Fonte: PAPER ICONS: Greek Orthodox Religious Engravings, 1665-1899 Hardcov
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