
Sócrates, Platão e Filósofos na Acrópolis
A Profecia e o Destino de Sócrates
Sócrates acreditava ser guiado por um daimonion, uma intuição divina interior que o impedia de cometer injustiças.
Por isso, viveu de forma simples, sem buscar riqueza ou poder, dedicando-se a questionar as pessoas nas ruas de Atenas para despertar a consciência e a busca pela verdade.
Sua missão teve origem na profecia do Oráculo de Delfos, que afirmou que ninguém era mais sábio que Sócrates.
Intrigado, ele passou a interrogar políticos, poetas e artesãos, concluindo que todos acreditavam saber, mas não sabiam de fato.
Assim, compreendeu que sua sabedoria consistia em reconhecer a própria ignorância.
Embora fosse religioso e respeitasse os deuses, sua postura crítica e questionadora gerou hostilidade.
Em um contexto de crise política e moral em Atenas, sua imagem foi associada à corrupção da juventude e à impiedade, especialmente devido à má reputação de alguns de seus discípulos e à sátira de Aristófanes.
Acusado formalmente por Meleto e outros, Sócrates foi levado a julgamento.
Defendeu-se com firmeza, recusou-se a renegar sua missão filosófica e afirmou obedecer às leis da cidade, mesmo quando injustas.
Condenado por pequena margem, recebeu a pena de morte.
Na prisão, enfrentou a morte com serenidade, bebendo a cicuta sem medo, entendendo-a como libertação da alma.
Suas últimas palavras expressaram gratidão aos deuses.
Com sua morte, Atenas posteriormente se arrependeu, enquanto o legado de Sócrates permaneceu como símbolo de coragem moral, amor à verdade e denúncia da ignorância humana.
Fonte:A Profecia de Sócrates Antes de Sua Morte
Homem que Aprendeu a Perguntar
Era uma manhã clara em Atenas quando um homem de pés descalços atravessava o mercado, vestindo roupas simples e carregando apenas uma coisa invisível, mas poderosa: perguntas.
Seu nome era Sócrates, e ele havia nascido ali mesmo, naquela cidade cheia de vozes, debates e deuses, no ano de 470 a.C., aos pés das colinas do Licabeto.
Filho de um escultor e de uma parteira, Sócrates cresceu entre o trabalho das mãos e o mistério do nascimento da vida.
Talvez por isso tenha aprendido cedo que algumas verdades se esculpem com esforço, enquanto outras precisam apenas ser “trazidas à luz”.
Ainda jovem, serviu Atenas como soldado em três campanhas da Guerra do Peloponeso, mostrando coragem no campo de batalha, embora sua verdadeira luta estivesse na alma humana.
Com o passar dos anos, Sócrates tornou-se uma figura impossível de ignorar.
Baixo, corpulento, nariz achatado, olhos saltados, caminhava pelas ruas como quem não pertencia a lugar algum, e, ao mesmo tempo, pertencia a todos.
Não tinha escola, não tinha livros, não cobrava lições. Seu palco eram as praças, mercados e ginásios, e seu método era simples e desconcertante: perguntar.
Enquanto outros filósofos tentavam descobrir de que era feito o universo, Sócrates perguntava:
— O que é a justiça?
— O que é o bem?
— O que é a verdade?
E, acima de tudo:
— Quem somos nós?
Dizia que a filosofia só começava quando o homem reconhecia sua própria ignorância. Por isso repetia, com serenidade e ironia:
“Só sei que nada sei.”
Conta-se que um dia o amigo Querofonte foi ao templo de Apolo, em Delfos, e perguntou ao oráculo quem era o homem mais sábio de Atenas.
A resposta ecoou como um trovão: Sócrates.
O filósofo ficou confuso. Se nada sabia, como poderia ser o mais sábio? Após longas reflexões, entendeu: sua sabedoria estava justamente em reconhecer seus limites e buscar aprender com todos.
Casado com Xantipa, mulher de gênio forte, teve três filhos e uma casa modesta. Mas sua verdadeira família eram os jovens que o seguiam, fascinados por suas conversas.
Entre eles estavam Platão e Xenofonte, que mais tarde levariam suas ideias ao futuro. Sócrates acreditava que o saber era virtude, e que o mal nascia da ignorância.
Ninguém fazia o mal voluntariamente, errava porque não sabia.
Seu método tinha duas etapas: primeiro, a ironia, desmontando falsas certezas; depois, a maiêutica, ajudando o outro a “dar à luz” a verdade que já existia dentro de si.
Assim como sua mãe ajudava mulheres a trazer filhos ao mundo, Sócrates ajudava almas a trazer ideias à consciência.
Mas nem todos gostavam disso.
Os políticos de Atenas começaram a temer aquele homem que expunha contradições em público.
Acusaram-no de corromper a juventude, negar os deuses da cidade e introduzir novas divindades.
Um dia, na praça, surgiu o aviso cruel:
“Sócrates é criminoso. A pena é a morte.”
Julgado por um tribunal formado por aqueles que ele havia questionado, Sócrates recusou-se a renegar sua filosofia. Quando lhe perguntaram qual punição merecia, respondeu com um sorriso irônico:
—Ser sustentado pelo Estado, por ter servido Atenas.
Foi condenado.
Durante trinta dias, aguardou preso. Cercado por amigos, não demonstrou medo.
Quando lhe ofereceram a taça de cicuta, bebeu calmamente. Sentindo o frio subir pelos membros, despediu-se com palavras que atravessariam os séculos:
“Vós ides para vossas vidas, eu para a minha morte. Qual seja o melhor desses caminhos, só Deus sabe.”
Assim, em 399 a.C., morreu Sócrates, o homem que não escreveu livros, mas escreveu sua filosofia na consciência da humanidade.
E desde então, sempre que alguém ousa perguntar quem é, o que é o bem, ou o que é a verdade, a voz de Sócrates ecoa pelas ruas invisíveis do pensamento, lembrando-nos de que a verdadeira sabedoria começa com uma simples admissão:
Ainda temos muito a aprender.
Platão
Fundador da Academia de Atenas, Platão, aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, é um dos filósofos gregos mais conhecidos e estudados até os dias atuais, especialmente por sua obra ter sobrevivido praticamente intacta mais de 2400 anos, o que não aconteceu com a grande maioria de seus contemporâneos.
Muito importante para a história da filosofia, Platão é responsável por termos acesso ao pensamento de diversos filósofos da Grécia antiga, como Sócrates, seu mestre, Heráclito, Parmênides e Pitágoras.
Platão foi ainda o introdutor do método de diálogo em filosofia e com sua obra A República fundou a filosofia política ocidental.
Os personagens dos diálogos de Platão tratam de diversos temas em praticamente todas as áreas da vida, privada ou pública, entre os principais temas encontramos, a política, arte, religião, justiça, medicina, vício e virtude, crime e castigo, sofrimento e prazer, sexualidade e a natureza humana, amor e sabedoria, entre outros.
Platão foi um dos filósofos mais conscientes do modo como a filosofia deveria ser concebida e qual deveria ser seu escopo e quais ambições poderia aspirar o filósofo.
De fato, Platão pode ser considerado o inventor do tema da filosofia, aquilo de que ela de fato trata, tendo a filosofia como um rigoroso e sistemático exame dos assuntos éticos, políticos, metafísicos e epistemológicos através de um método distintivo.
A Platão frequentemente se atribui uma posição filosófica que atualmente seria descrita como racionalista, parte de uma definição de raciocínio como uma operação mental discursiva, pautada pela lógica, e utilizando proposições para extrair conclusões; realista, em relação à existência de universais, as formas ideais; idealista, com sua teoria das ideias, na qual a verdadeira realidade estaria no mundo das ideias, sendo acessível apenas à razão; e dualista, concepção baseada na existência de duas substâncias irredutíveis uma à outra.
Embora estas posições não tenham sido completamente desenvolvidas por Platão, suas ideias iniciais inspiraram a formação destas posições filosóficas, a tal ponto que, por exemplo, o realismo, na forma apresentada acima, é hoje conhecido como “Realismo Platônico”.
A Teoria das Formas, também frequentemente referida como Teoria das Ideias, é um dos mais importantes desenvolvimentos filosóficos de Platão, de acordo com esta teoria, as formas abstratas, aquelas não-materiais, possuem o tipo mais elevado e fundamental de realidade, mesmo não possuindo existência física estas formas são substanciais e imutáveis.
O mundo material mutável que conhecemos através da sensação teria existência secundária e dependente das formas, também chamadas “ideias”.
Alguns autores chamaram estas formas de “essências puras” que sustentam a existência do mundo material.
Platão defendeu a existência de uma conexão metafísica, portanto abstrata, entre a maneira como procuramos ter acesso às formas, descrevendo tal procura, bem como as dificuldades inerentes a este processo, em sua Alegoria da caverna, na obra República.
Autores como Stephen Körner, consideraram a adesão às ideias de Platão como uma tendência natural para os estudiosos da matemática, esta posição é evidenciada pela grande adesão de importantes nomes da matemática ao pensamento platônico, entre eles Sir Bertrand Russell, A. N. Whitehead, Gottlob Frege, Kurt Gödel, Georg Cantor, entre outros.
Também na física existe uma arraigada tradição platônica, começando com Galileu Galilei e se estendendo até Werner Heisenberg, Roger Penrose, Stephen Hawking, entre outros importantes nomes da física contemporânea.
Para além de sua grande relevância para a filosofia e ciência, Platão também foi importante para o processo de racionalização da fé cristã, em grande medida através de sua influência sobre o filósofo e teólogo Agostinho, um dos mais importantes da história da cristandade.
Fonte:Biografia de Sócrates
Fonte: https://www.infoescola.com/filosofos/platao/
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